Há semanas o Amazonas vive surte de rabdomiólise, a doença da urina preta, originalmente o surto está concentrado em Itacoatiara, distante 175 km de Manaus, mas já há informações de ocorrências em outros lugares e até em outros Estados. Já se sabe que infecção ocorre com consumo de peixe que afeta os músculos ocasionando a urina preta.
Agora, pesquisadores do Inpa se desdobram sobre o caso enviando equipes para pesquisa de campo. E para saber qual o estágio dos estudos do Inpa sobre o caso, conversamos com o pesquisador do instituto, Adalberto Val. Confira a entrevista a seguir:
ON JORNAL -Em que nível está o estudo sobre o surto de rabdomiólise?
ADALBERTO VAL - O Inpa não tem nenhum projeto específico para fazer os estudos desse problema em Itacoatiara, mas já fizemos uma coleta lá pra poder pelo menos ter uma primeira noção do que está acontecendo. Eu enfatizo que messe momento nós estamos no campo das hipóteses.
Pra todas essas abordagens temos duas linhas de trabalho. Uma linha que eu acho bastante razoável está relacionada com as alterações climáticas, à essas oscilações intensas de cheia e vazante que ocorrem deslocadas o tempo. Isso faz com que peixes do mesmo grupo e paradoxalmente em Itacoatiara nós temos três espécies do mesmo grupo, tenham acesso à floresta inundada em diferentes períodos e, com isso, elas tenham acesso a frutos que não estão totalmente maduros, frutos verdes que podem ter ainda algumas toxinas, algumas dessas toxinas termoestáveis que não podem ser destruídas pela temperatura, ficar em contidas na musculatura do peixe.
Uma segunda hipótese está relacionada há um conjunto de microrganismos que possam estar colonizando essas espécies de peixes de forma bastante específica e que por conta, também, de mudanças ambientais estariam formando esporo e ao formar esses esporos, estariam liberando toxinas como é o caso de costrídio e de bacilos e essas toxinas poderiam estar ligadas ao doença de Haff que está ligada ao rompimento das fibras musculares dando origem, portanto, ao que nós conhecemos com urina preta.
ON - surto está concentrado somente em Itacoatiara?
Nós estamos olhando para Itacoatiara, mas tem casos em outros lugares e até em outros Estados, a gente precisa estar de olho nisso, a existência de casos em outros Estados, reforça a tese de que a gente tem um efeito de mudanças climáticas no impacto do efeito dessa doença.
AV- As pessoas precisam suspender o consumo de peixes?
É muito importante nesse momento que a gente tenha os cuidados todos sanitários com essa doença e isso inclui os cuidados de processos fortes de cocção pra gente poder não desistir de comer o peixe. O peixe é a única fonte de proteína que a gente tem à disposição da população da região de uma maneira geral. Eu diria que a gente precisa ter um cuidado maior nos lugares , onde a gente tá tendo maior incidência que é lá em Itacoatiara, mas por enquanto a gente não precisa expandir isso pra todos os lugares. Agora é muito importante que a gente tenha recursos para fazer as análises em cima disso. Não só as análises em cima das toxinas, mas fazer culturas desses microrganismos presentes nesses peixes né? No caso dos costrídio e bacilos nós encontramos uma quantidade relativamente alta desses peixes lá em Itacoatiara. É preciso fazer uma análise comparativa com outros lugares pra gente ver o quão alto é isso.
ON - O microrganismo é realmente muito resistente?
AV- Sim. Tanto o costrídio, quanto os bacilos esporulam e esporos são resistentes à temperatura e quando encontram a condição ideal , volta a ser microrganismos poderosos que volta a atacar a gente. Por isso a gente tá trabalhando com essas duas hipóteses. A hipótese que a toxina já esteja presente no peixe, seja uma toxina termo resistente, o peixe tenha adquirido ao comer alguma coisa que está na floresta que tenha sido inundada no tempo fora do normal ou que seja gerado por um microrganismo que esporulou e depois voltou ao estado normal.
ON- O governo federal via Ministério da Saúde ou da Ciência e Tecnologia destinou alguma verba ou definiu alguma estratégia para o problema?
AV - Nós não temos nenhum projeto para isso né? Na realidade a gente tomou conhecimento e começou a fazer a análise disso porque a questão é perigosa e chama a atenção. A gente precisa entender isso , porque se isso expandir demais a gente precisa estar pronto para agir, o que nós fizemos aqui, foi organizar uma expedição para lá, mesmo sem recursos e coletamos um material e trouxemos para o laboratório para fazer uma primeira análise. E para isso nós precisamos de recursos, algumas análises nós não fazemos aqui. Nesse laboratório, ainda euseja muito bem equipado , alumas dessa análises não pefeita aqui porque não é da especialidade desse laboratório, ´E preciso que o MS se evolva dessa questão para ter um diagnóstico correto disso, que como disse até agora está concentrado em Itacoatiara, mas já temos informações de que estão acontecendo em outras cidades
ON- Têm sido disseminado muitos vídeos com peixes apresentando alta presença de vermes. Há alguma relação com o surto da urina preta?
AV- Parasita em peixe é muito comum, tudo quanto é peixe tem parasita. Essa é uma questão que a gente estuda aqui, parasita no peixe, mudança climática favorece o parasitismo do peixe, mas esses parasitas comuns são debelados com a cocção , não tem problema isso. Eu diria que esse aumento do parasitismo ai deve está relacionado há um estresse dos peixes há um enfraquecimento da saúde dos peixes por outras questões, e aí aumenta o parasitismo do peixe.
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