Os trens já foram bem importantes no Brasil, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Ferrovias começaram a ser construídas no Segundo Reinado, com incentivo do governo de Dom Pedro II. Muitos trilhos usados até hoje, aliás, são dessa época.
Além de transportar passageiros, as ferrovias eram usadas para transportar o principal produto de exportação do país: o café. Com a crise de 1929, que se estendeu pela década de 1930, os consumidores do café brasileiro pararam de comprar — e nós paramos de produzir. As empresas não tinham mais receita nem motivos para operar as ferrovias, como também não tinham recursos para investir em manutenção e modernização da malha ferroviária.
Na década seguinte, as ferrovias já estavam antiquadas, e as concessões para empresas privadas estavam terminando — sem que ninguém tivesse muito interesse em renová-las. Nesse cenário, em 1957, foi criada a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que iria operar o problemático transporte por trens no país. O governo do presidente Juscelino Kubitschek (JK) queria crescer 50 anos em 5 e buscou a indústria automobilística para modernizar o Brasil. Carros e caminhões precisavam de estradas para andar, e estradas são muito mais rápidas de construir do que ferrovias. No governo JK as rodovias pavimentadas triplicaram — de 2,5 mil km para 9,5 mil km —, e os trilhos ficaram ainda mais em 2° plano.
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