A Letônia é um país em que a introspecção costuma ser destacada como parte da cultura — e mesmo celebrada. Segundo a Comissão Europeia, a Letônia seria o país europeu com o maior porcentual de trabalhadores em áreas criativas.
O fato é que, lá, a introspecção e a criatividade se tornaram um traço identitário e começaram, inclusive, a ser priorizadas nos planos educacional e econômico do governo.
Isso não quer dizer que os letões não costumem enxergar sua introspecção (que se expressa, por exemplo, na falta de hábitos como tomar cafés com outras pessoas, sorrir para estranhos ou conversar no trem) com um olhar autodepreciativo. Mas há elementos do próprio país que podem ajudar a explicar essa tendência.
A jornalista Justine Vernera, moradora da cidade de Cesis, afirma: "No país, não manter uma conversa o tempo todo não é rude ou desconfortável. Falar o tempo todo é mais visto como arrogância do que ficar em silêncio às vezes".
Um elemento que ajudaria a explicar esse comportamento dos letões seria a geografia do país, que tem baixa densidade populacional e grandes florestas. Ou seja, as pessoas não costumam cruzar com as outras na vida cotidiana.