Criado para garantir segurança hídrica a cerca de 12 milhões de pessoas em aproximadamente 390 municípios do semiárido, o Projeto de Integração do Rio São Francisco enfrenta um dos maiores desafios ambientais e de engenharia do país: vencer os desníveis naturais do relevo, como a Serra da Borborema. Diferentemente de sistemas que dependem apenas da gravidade, o projeto utiliza estações de bombeamento para elevar a água do rio em trechos que chegam a mais de 200 metros de altura, permitindo que ela alcance regiões historicamente afetadas pela escassez hídrica.
No Eixo Norte, a água captada no Velho Chico é elevada por três estações de bombeamento entre Cabrobó, Terra Nova e Salgueiro, superando um desnível total de 188 metros ao longo de 82 quilômetros. Já no Eixo Leste, o desafio é ainda maior: seis estações de bombeamento, localizadas entre Floresta, Custódia e Sertânia, vencem um desnível acumulado de mais de 330 metros em um percurso de 170 quilômetros. Após cada etapa de elevação, a água segue por gravidade por canais, aquedutos e túneis até o próximo ponto do sistema.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a obra vai além do abastecimento humano e se consolida como uma política ambiental e de desenvolvimento regional, ao reduzir a vulnerabilidade das populações do semiárido frente às secas recorrentes. Ao levar água a comunidades rurais e urbanas, a transposição contribui para a conservação ambiental, o uso mais sustentável dos recursos hídricos e a melhoria das condições de vida, transformando a água do Rio São Francisco em um instrumento estratégico de adaptação climática e inclusão social.
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