quinta, 23 de abril de 2026
17/04/2023   17:30h - Bolsas & Ações

Empresas de varejo perderam equivalente ao "PIB do Uruguai" no Brasil

 Juros altos, inflação resistente em níveis elevados e renda estagnada tiraram o poder de compra dos brasileiros, enfraqueceram as vendas e fizeram o varejo cair na real. Empresas varejistas perderam R$ 339,6 bilhões de valor de mercado nos últimos dois anos. O tombo, com a desvalorização de ações na Bolsa, equivale ao Produto Interno Bruto (PIB) do Uruguai.

 

Nem mesmo o suspiro de vendas que houve na pandemia, devido à explosão do e-commerce, conseguiu atenuar o enfraquecimento do comércio nos últimos tempos. Isso tem reflexos na atividade como um todo.

 

O consumo das famílias responde por 60% do PIB e o varejo é uma fatia importante. O comércio impacta diretamente a produção da indústria e taxa de desemprego do País. Tradicionalmente, o setor é a porta de entrada do jovem para o mercado de trabalho e emprega cerca de 20% dos trabalhadores formais da economia brasileira. Isso sem falar nos desdobramentos que provoca na arrecadação, especialmente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 

Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), calculou o valor de mercado de um grupo de 20 varejistas com papéis na Bolsa. Juntas, ao final de 2020, essas empresas valiam R$ 527,810 bilhões. Mas, em dezembro do ano passado, essa cifra tinha recuado para R$ 188,149 bilhões, acumulando uma perda de quase dois terços (64%).

 

“É um cenário desolador do comércio no pós-pandemia”, afirma o economista. Entre 2004 e 2014, o comércio viveu um “ciclo de ouro”, quando o volume de vendas crescia, em média, 7% ao ano. Mas, no período seguinte, de 2015 até o final do ano passado, o que se viu foi estagnação. As vendas recuaram, em média, 0,1% ao ano.

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