Sunday, 07 de June de 2026
23/11/2024   08:00h - Entrevistas

ELISAMA BRITO, CEO da rede de supermercados "Super Nova" conta ao ONJornal.com os desafios de lidar com a doença degenerativa e o empreendedorismo feminino

Com a missão de contar histórias inspiradoras aos seus leitores, o ON Jornal conheceu Elisama Brito, de 36 anos, amazonense, cofundadora da rede de supermercados Super Nova, em Manaus.

 

Em meio aos desafios de uma doença rara como a miastenia gravis, que causa fraqueza muscular por esforço repetitivo, Elisama, mestre em enfermagem, encontrou na força do empreendedorismo uma grande aliada para desviar-se das limitações de saúde. Ela nos mostra que as dificuldades físicas não são um impedimento para alcançar grandes objetivos.

 

A história de Elisama com a miastenia gravis começou há 14 anos, quando os sintomas da doença começaram a se manifestar, interferindo em suas atividades diárias.

 

Ela afirma que tinha dificuldade para pentear o cabelo, seus braços cansavam rápido demais, e em alguns momentos, a fraqueza para andar era tão grande que chegava a se arrastar para se mover.

 

Com uma história incrível que precisa ser contada, o ON Jornal conversou com Elisama, que explicou como encara os desafios da doença, ao mesmo tempo que empreende, se tornando inspiração não só para mulheres, mas para todos em sua volta. Confira.

 

ON Jornal- Quando você foi diagnosticada com a doença?

 

Elisama Brito - Eu estou com a doença há 14 anos, desde que percebi os sintomas de fraqueza com maior intensidade enquanto finalizava a graduação em enfermagem.

 

Tinha dificuldade para pentear o cabelo. Em alguns momentos, a fraqueza para andar era tão grande que eu começava a me arrastar. Quando eu tô com muita fraqueza, eu não consigo nem falar. Algumas pessoas podem pensar que eu tô triste e não dão muita importância. Até notarem… eu já tô muito mal.

 

Eu não consigo subir degraus sem ajuda ou se for pequeno, me apoio em algo. As tarefas pequenas que canso quando estou pior são: tomar banho, comer, tomar água, escovar os dentes, coisa mínima mesmo. Tenho que parar, descansar, e, às vezes, vou para o oxigênio. Por isso, eu não posso sair sozinha. A minha mãe fica a maior parte do tempo comigo, mas se ela não puder, preciso de alguém por perto. Tem que ser alguém que tenha o contato dos meus familiares e saiba alguma coisa da minha doença.

 

ON Jornal- O tratamento dura até hoje, mas como foi o início? Atualmente, como estão os sintomas?

 

Elisama Brito – Bem, durante muito tempo, fui submetida a inúmeras internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s), traqueostomia e até o uso de sonda enteral. Hoje, a minha miastenia gravis é considerada refratária. Isso significa que os medicamentos já utilizados não respondem mais ao tratamento como antes. Apesar disso, eles permanecem sendo necessários para manter a doença controlada, aliando às consultas médicas que ocorrem com frequência para que sejam feitas análises detalhadas sobre o quadro atual da doença.

 

A Miastenia Gravis não tem cura, entretanto, com cuidado especializado, os pacientes podem ter uma melhor qualidade de vida, e, consequentemente, barrarem o desenvolvimento da doença.

 

ficar em casa, se esquivando de qualquer esforço, porém, decidiu continuar. De onde vem tanta força?

 

Elisama Brito – Minha força vem de Deus!

 

Para mim é vital me sentir útil, servir e a recompensa do fruto do meu trabalho é o sucesso profissional, não o salário, que se torna uma consequência. Por isso, mesmo eu tendo a possibilidade financeira de estar em casa eu prefiro produzir para a sociedade, isso traz satisfação pessoal e, tenho certeza, contribui inspirando, motivando pessoas e também gera resultados positivos sociais.

 

Sei que minha vida é um milagre e presente de Deus e agradeço a Ele pela oportunidade dos momentos vivenciados.

 

ON Jornal- Ser empresário não é fácil, ainda mais sendo mulher no ramo supermercadista. Como você concilia seu tratamento e a administração de uma rede que já está crescendo em Manaus? 

 

Elisama Brito - A decisão de empreender surgiu em um momento em que eu buscava novos desafios e uma forma de contribuir para a comunidade. Ao lado do meu marido, que já atua no ramo supermercadista há 34 anos, iniciei uma nova jornada, quando a gestão do grupo passou a ser compartilhada entre a gente.

 

Temos visões diferentes de certos aspectos do negócio, o que nos leva a fazer ajustes e entrar em consenso para o bem da empresa. Com certeza, o Super Nova não é o mesmo de 4 anos atrás e nem nós dois. Se assim fosse algo estaria errado, porque estamos nesse mundo para aprender, apreender e evoluir com nossos erros e acertos. O sucesso é consequência disso, o caminho para ele não é uma linha reta e nem ciência exata.

 

Além disso, iremos inaugurar a quarta loja juntos em breve, se Deus quiser, o Super Nova Mosaico. Prova de que estamos crescendo e fortalecendo a rede juntos, o que muito me alegra e sou grata, por estar fazendo a diferença na vida de tantas pessoas direta e indiretamente.

 

ON Jornal- Qual o diferencial da Super Nova supermercado, em relação às outras redes?

 

Elisama Brito - Nosso diferencial está em buscar estratégias para entregar ao consumidor final o menor preço possível, sacrificando muitas vezes nossa margem, apesar do alto custo. Também buscamos melhorar a experiência do cliente cada vez mais, para que ele realmente possa comprar e recomendar o Super Nova.

 

Além disso, fazemos questão de doar um pouco do que recebemos ao nos engajarmos em causas sociais. Acreditamos realmente que é impossível ajudar a todos, mas que se cada um ajudar um pouquinho o mundo pode ser melhor.

 

ON Jornal- Estando à frente de um empreendimento de grande importância, você agora, ajuda a mudar a vida de outras pessoas. Como você enxerga isso?

 

Elisama Brito - Quando comecei a atuar no varejo, percebi que a autoconfiança é vital e tive a oportunidade de dar oportunidade para mulheres que estavam com a família desestruturada, outras há anos fora do mercado de trabalho e a alma sem vida e hoje vejo um brilho no olhar diferente. Tenho certeza que o trabalho dignifica a mulher. Não é só o salário. Mas se sentir útil, estar socializando, aprender a cada dia, tudo isso faz total diferença.

 

Por isso, mesmo da UTI, quando melhoro um pouquinho estou trabalhando home office. E nos dias que estou melhor vou para a empresa. Se fosse pensar se “preciso” trabalhar, diria que não. Mas eu amo ser útil.

 

ON Jornal- Que mensagem você gostaria de deixar para pessoas que conheceram sua história, e possivelmente passaram por situações parecidas?

 

Elisama Brito – Então, enquanto puder fazer alguma coisa, estarei produzindo, se Deus quiser!! Essa crença em mim mesma me permitiu não apenas me destacar, mas também inspirar outras mulheres a se esforçarem e a buscarem cargos de liderança. Infelizmente, ainda vejo muitas mulheres que não se esforçam o suficiente para conquistar posições mais altas, talvez por insegurança ou medo de fracasso.

 

É fundamental que as mulheres se vejam capazes e que se motivem mutuamente para quebrar essas barreiras. O importante é fazer o melhor possível, dar o seu melhor, mesmo que você não seja o melhor dentre todos. Um dia você irá se destacar. Com meu exemplo e liderança espero inspirar mulheres a superar desafios e estimulá-las a conquistar novos patamares profissionais dia a dia.

 

ON Jornal- Para quem quiser conhecer mais sobre você e seu trabalho, onde podem te acompanhar?

 

Elisama Brito – Você me acompanha na minha principal rede social, que é o instagram, no endereço: @elisamabrito_oficial

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