O fenômeno El Niño em 2026 pode reduzir em até 10% a produção nacional de grãos no Brasil, o que representa uma perda potencial de até 32 milhões de toneladas de soja e milho. Em entrevista ao Broadcast Agro, o pesquisador da FGV e ex-secretário de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, alertou que o grande gargalo do setor não é o fenômeno climático em si, mas a demora e a falta de planejamento para adaptar os sistemas produtivos a um clima que já mudou drasticamente.
Segundo o especialista, a recuperação do solo e a adoção de técnicas conservacionistas, como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta e o uso de cultivares de ciclo médio, levam de três a quatro anos para gerar resultados práticos.
O atraso na implementação dessas práticas sustentáveis deixa a agricultura vulnerável a eventos extremados, agravando a situação financeira dos produtores que já enfrentam endividamento e custos elevados. Para conter os prejuízos futuros, Assad defende que o seguro rural seja tratado como investimento estratégico permanente e que o Código Florestal seja cumprido rigorosamente, garantindo a proteção de nascentes e matas ciliares essenciais para manter o regime de chuvas.
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