Em Maricá, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que fica a menos de uma hora de distância da capital, a história anda sendo escrita. Pela primeira vez no país, um clube formado exclusivamente por jogadores de origem indígena vai disputar uma competição oficial. O Esporte Clube Originários faz os últimos ajustes para estrear na Série C do Carioca - o equivalente à quinta divisão.
O clube nasceu este ano com um propósito: o de abrir as portas do futebol para indígenas e transmitir o orgulho de um povo geralmente marginalizado. "A gente não é muito ouvido, né", lamenta Tupã Nunes, presidente do clube e cacique da Aldeia Mata Verde Bonita que lidera a resistência dos Guarani Mbya no distrito de Itaipuaçu.
“Hoje, aos 51, o líder da aldeia vê o sonho de uma vida sendo realizado e se emociona. O povo indígena vive numa resistência muito forte por causa da desvalorização da sua terra. Acredito que, com o caminho da arte e o caminho do futebol, nossos filhos vão alcançar esse degrau e transmitir para o mundo que esse povo merece estar onde estar, merece ser respeitado no seu habitat original, onde sempre esteve”, afirma, sem contar as lágrimas.
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