quinta, 23 de abril de 2026
03/09/2021   08:15h - Entretenimento

Duhigó é a primeira mulher indígena do Amazonas no acervo do Masp

 Com 16 anos de carreira artística e uma vasta produção de obras de arte inspiradas na cultura indígena, em especial, nas suas próprias memórias enraizadas no povo Tukano, sua etnia de origem, Duhigó conquistou um lugar de destaque na história da arte amazonense e brasileira ao se tornar a primeira mulher indígena amazonense a compor o renomado acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), considerado o maior do país.

 

O MASP possui atualmente 11 mil peças artísticas e é o mais importante museu do Hemisfério Sul. A obra de arte que garantiu a entrada de Duhigó no MASP é intitulada Nep? Arquep?, que significa, na língua Tukano, Rede Macaco. O quadro foi produzido em Manaus em 2019, no tamanho de 185,5 x 275,5 cm, em tinta acrílica sobre madeira e narra uma cena da memória afetiva da artista: um ritual de nascimento de um bebê do povo Tukano. A cena pintada na obra narra, de dentro de uma maloca Tukano, o momento do parto até o descanso da mãe na Rede Macaco, que recebe os cuidados dos parentes próximos e do pajé da tribo.

 

A obra já é conhecida dos brasileiros, pois participou da Exposição itinerante VaiVém, nos Centros Culturais Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte entre os anos de 2019 e 2020, com curadoria de Raphael Fonseca. Fruto da doação dos colecionadores de arte Mônica e Fábio Ulhoa Coelho, a obra de Duhigó está em exibição na sede do MASP, em São Paulo, dentro da mostra Acervo em Transformação: doações recentes, e ficará em cartaz até fevereiro de 2022. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico no MASP, e Amanda Carneiro, curadora assistente na instituição, a exposição reúne 13 obras de artistas incorporadas à coleção do museu entre 2020 e 2021 e expressa o trabalho contínuo que tem sido feito com o objetivo de fortalecer a presença de mulheres no acervo.

 

Para Amanda Carneiro, curadora da mostra, o MASP tem como missão ser um museu diverso, inclusivo e plural e para tornar esse objetivo uma realidade é necessário incorporar ao acervo a multiplicidade da produção artística contemporânea, sobretudo brasileira. “O trabalho de Duhigó na mostra Acervo em transformação: doações recentes expressa o trabalho contínuo que tem sido realizado para fortalecer a presença indígena no museu, este é o contexto dessa doação”, destacou Amanda.

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