Reduzida a fragmentos de sua cobertura vegetal original, a Mata Atlântica ainda é capaz de surpreender pesquisadores, como mostra o recente achado de duas novas espécies de árvores frutíferas no bioma, a poucos quilômetros da metrópole do Rio de Janeiro.
A uvaia-pitanga (Eugenia delicata) e a cereja-amarela- -de-niterói (Eugenia superba) foram descobertas dentro de áreas protegidas nos municípios de Niterói e Maricá, no litoral fluminense. Com baixo número de indivíduos e ocorrências restritas, as duas espécies já podem ser consideradas sob risco de extinção, como alertam os cientistas.
As descobertas foram descritas em um artigo publicado em fevereiro na revista científica Kew Bulletin, publicação do Royal Botanic Gardens, da Inglaterra. A pesquisa é assinada por um time de sete cientistas do Jardim do Botânico do Rio de Janeiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Universidade Federal do Ceará (UFCE).
O estudo começou a partir de coleções botânicas anteriores, onde duas amostras em particular chamaram a atenção dos pesquisadores, pelo potencial de se tratarem de novas espécies. Apenas com as amostras, entretanto, não havia material suficiente para chegar a essa conclusão e foi organizado um esforço colaborativo em busca das peças que faltavam nesse mistério.
As idas a campo compensaram e resultaram na descrição de duas novas espécies de árvores frutíferas para a Mata Atlântica fluminense.