quinta, 23 de abril de 2026
03/05/2025   08:00h - Entrevistas

Dra. Tanara Lauschner, nova Reitora da UFAM, fala ao ON, de sua trajetória no MCTI onde articulou um bilhão para C&T da Amazônia. A única brasileira eleita no Conselho Association for Computing Marchinery

A chapa 57 - “Mudança!” venceu a Consulta à Comunidade Universitária para o cargo de reitor(a) e vice-reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) - gestão 2025/2029. Formada por Tanara Lauschner, como candidata a reitora, e Geone Maia Corrêa, como candidato a vice-reitor, a chapa foi eleita no 2º turno com 8.089 votos, o equivalente a 52,86 % dos votos válidos. A votação ocorreu nos seis campi da Ufam (Benjamin Constant, Coari, Humaitá, Itacoatiara, Manaus e Parintins). 

 

No total, foram registrados 13.322 votos válidos, sendo 1.672 de docentes, 1.377 de Técnico-Administrativos(as) em Educação (TAEs) e 10.102 de discentes. Também foram computados 82 votos em branco e 89 votos nulos. Ao todo, 33.877 membros da comunidade universitária estavam aptos (as) a votar. A contagem dos votos obedeceu a paridade entre os três segmentos da comunidade acadêmica.  

 

Tanara Lauschner é professora da UFAM desde 2002 e Doutora em Informática, com atuação em ciência, tecnologia e gestão. Ocupou o cargo de Subsecretária para Amazônia no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) entre 2023 e 2025 e é a única brasileira eleita para o atual conselho da Association for Computing Machinery (ACM), a maior sociedade científica de computação do mundo.

 

Ela também já ocupou o cargo de Subsecretária para Amazônia no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) entre 2023 e 2025, onde articulou investimentos de quase R$ 1 bilhão para fortalecer a ciência na região amazônica, incluindo o Programa Pró-Amazônia.

 

Com exclusividade, o ON Jornal conversou com a reitora eleita para entender como foi o processo eleitoral para reitoria da universidade e quais serão suas ações assim que tomar posse do cargo. Confira.

ON Jornal – Como iniciou a sua trajetória no meio educacional? Você sempre sonhou em se tornar uma reitora?

 

Tanara Lauschner-  Eu nasci em Santa Catarina, eu sou catarinense, mas eu saí do sul, eu era muito pequena, eu saí, não tinha nem 5 anos de idade direito, morei na Ilha do Marajó, durante quase 2 anos, morei em Ponta de Pedras. Depois eu cresci em Maués, aqui no Amazonas. Então, eu estudei em Maués, vim para Manaus já para fazer o ensino médio. Estudei na Escola Técnica Federal do Amazonas, que hoje é a UFAM, fiz Eletrônica lá, mais tarde eu entrei na Universidade do Amazonas, fiz Engenharia Elétrica, e após isso, fiz um mestrado interinstitucional da UFAM com a UFMG, já na área de computação. Terminando o mestrado, eu fiz concurso para a UFAM.

 

Então eu entrei como professora na UFAM em 2002, na época era o Departamento de Ciência da Computação, que depois se tornou o Instituto de Computação (ICOMP), que eu tive a honra também de ter sido diretora do Instituto.

 

Eu estava em um projeto para diminuir a evasão dos cursos de tecnologia, quando eu fui convidada pela Ministra Luciana Santos para assumir a Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia no MCTI.

 

ON Jornal - Como foi sua experiência atuando como Subsecretária para a Amazônia no MCTI e quais foram os principais desafios enfrentados nesse período?

 

Tanara Lauschner-  Quando eu fui convidada pela Ministra Luciana Santos para assumir a Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia no MCTI, confesso a você que fiquei bem na dúvida se eu iria ou não, mas aí eu encarei o desafio muito confiante do que a gente poderia fazer para a região, porque eu acho que uma coisa importante de se destacar é que embora a gente esteja em um governo que reconheça a importância da Amazônia, as pessoas que estão em Brasília, a maioria não conhece a realidade amazônica.

 

Então eu fui lá e a gente definiu uma política de ciência e tecnologia para a região, definimos o programa ProAmazônia dentro do FNDCT, que é o Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, conseguimos o protagonismo para as nossas instituições aqui da região. Depois eu tive que sair dessa subsecretaria, porque nós já estávamos em conversa com um grupo de professores, de técnicos, de estudantes, na UFAM, praticamente desde setembro do ano passado, no movimento que a gente chamou ‘Fã em Movimento’, onde  foi decidido que eu seria a candidata a reitora e o professor Geone, que é professor lá em Itacoatiara, seria o nosso candidato a vice, e aí em janeiro eu pedi a exoneração do MCTI para enfrentar esse desafio da eleição para a reitoria da UFAM.

 

ON Jornal - O Programa Pró-Amazônia é uma de suas grandes conquistas. Qual o impacto desse programa para a ciência e tecnologia na região?

 

Tanara Lauschner- Então, se você tem, digamos, um milhão para um projeto que vai ser executado no sudeste, você vai conseguir executar muito mais do que um milhão num projeto executado na Amazônia. Então, primeiro a gente teve que convencer de que era necessário ter mais recursos, e segundo de que era necessário que esses recursos fossem exclusivamente para as instituições da região.

 

Não que a gente não ache que as outras instituições fora da região amazônica tenham que pesquisar e realizar projetos para a região, mas elas conseguem recursos de maneira mais fácil do que a gente. Então, esse projeto especificamente, que foi o programa Pro Amazônia, ele definiu que os recursos seriam para a nossa região.

ON Jornal - Como você enxerga o papel da tecnologia no desenvolvimento sustentável aqui da nossa região, na Amazônia?

 

Tanara Lauschner- Olha, eu vejo que, primeiro aquela situação: a floresta em pé sempre vale mais do que a floresta que não existe mais. E para que a gente possa ter o desenvolvimento social das pessoas que moram na nossa região, e a gente mantendo a floresta em pé, não tem outro caminho que não seja pela tecnologia.

 

Então há biotecnologia, há inteligência artificial, que é da minha área de computação, a gente pensar nessas questões de clima, a gente tem aí eventos extremos de secas ou de enchentes, que a ciência e a tecnologia podem não só prever, mas também indicar políticas públicas para que as autoridades constituídas possam fazer ações para que as pessoas da nossa região não sofram tantos com eventos extremos. Precisamos desenvolver soluções para a nossa região, por exemplo, de geração de energia, de limpeza de água, porque por mais que a gente tenha muitos recursos hídricos na nossa região, muitas vezes a água que é usada em determinados municípios, em comunidades, são águas contaminadas.

 

ON Jornal – Quais são os principais desafios enfrentados pelos alunos, não somente em Manaus, mas também aos alunos do interior?

 

Tanara Lauschner- Olha, no nosso caderno de propostas, a gente propôs um programa de combate à evasão e à retenção. E quando a gente fala da evasão, a gente tem vários aspectos.

 

A gente tem as dificuldades dos alunos de baixa renda, tem alunos que vêm estudar aqui em Manaus, porque não tem tantos recursos. Não só aqui em Manaus, mas eles, por exemplo: você vê um campus como o de Itacoatiara. Lá você encontra, em Itacoatiara, alunos de Maués, você tem alunos de Barreirinha e você tem alunos de Tabatinga.

 

Devido a isso, eu acho que a gente precisa ampliar a nossa assistência estudantil.

 

ON Jornal- Você ainda não tomou posse da reitoria na Universidade, já tem uma data marcada para começar os trabalhos oficialmente?

 

Tanara Lauschner- Deve ser na primeira semana de julho. A gente está trabalhando inicialmente com o dia 4 de julho, que é uma sexta-feira, então, possivelmente, essa é a primeira data tentativa, né.

 

Porque a gente teve o processo de eleição, que é um processo não oficial, e aí nós tivemos já a eleição oficial, que ela se dá dentro do conselho universitário, aí o conselho universitário, monta a lista tríplice, para enviar para o MEC e para a Presidência da República.

 

Então, dentro dessa lista tríplice é escolhido o presidente nomeado, né, e o histórico que a gente sabe de todas as nomeações que o presidente Lula fez no primeiro e no segundo governo, ele sempre nomeou o mais votado, então, hoje a gente não tem essa preocupação de que de fato o reitor ou reitora eleita é quem vai ser empossado.

  

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