quinta, 23 de abril de 2026
30/08/2025   08:00h - Entrevistas

Dra. Laura Lucas ON Jornal entrevista Dra. Laura Lucas que concorre à vaga do Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Amazonas

Advogada, mestre em Função Social do Direito, especialista em Direito Público e professora universitária, Laura Maria Santiago Lucas é uma voz ativa na defesa dos direitos humanos, da igualdade de gênero e da justiça social, com forte atuação acadêmica e prática jurídica nacional e internacional.

 

Atualmente, Laura concorre a uma vaga no Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), processo que vai definir o novo desembargador ou desembargadora após a aposentadoria do magistrado Jorge Chalub. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM) abrirá o prazo de eleição nos próximos meses, quando será definida a lista sêxtupla de advogados, observando critérios de paridade de gênero. Os nomes mais votados serão encaminhados ao tribunal, que escolherá três dos candidatos para envio ao governador Wilson Lima, responsável pela nomeação final.

 

Com sólida atuação como advogada, professora, pesquisadora e liderança institucional, a Dra. Laura Lucas,  explicou ao ON Jornal, sobre sua carreira, desafios e soluções para a magistratura estadual. Confira

 

ON Jornal - Como a sua trajetória na defesa dos direitos humanos e da igualdade de gênero pode contribuir para a sua atuação como desembargadora no Tribunal de Justiça do Amazonas?

 

Dra. Laura Lucas- Minha trajetória na defesa dos direitos humanos e da igualdade de gênero me proporcionou sensibilidade para compreender que a aplicação da lei não pode se dissociar da realidade social das pessoas.

 

 

No Tribunal de Justiça do Amazonas, essa vivência me permitirá atuar de forma atenta às desigualdades, reconhecendo que o papel do magistrado hoje vai além da técnica: é também garantir que a justiça seja instrumento de inclusão, equidade e respeito à dignidade humana. Essa experiência me dá um olhar mais atento para os grupos vulneráveis, garantindo que a decisão judicial não apenas solucione conflitos, mas também contribua para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

 

ON Jornal - Quais os maiores desafios que a senhora enxerga no fortalecimento da justiça social dentro do sistema judiciário brasileiro, especialmente na realidade amazônica?

 

Dra. Laura Lucas- O principal desafio está em conciliar a estrutura do sistema de justiça com a complexidade social e geográfica da Amazônia. Temos populações ribeirinhas, comunidades indígenas e áreas de difícil acesso, onde muitas vezes o Judiciário chega de forma precária. Além disso, há um desafio cultural: o reconhecimento da diversidade como parte fundamental da justiça social. Fortalecer a justiça, nesse contexto, exige aproximar o Judiciário da população, ampliar a presença institucional nas regiões distantes e adotar práticas inclusivas que respeitem a pluralidade cultural sem perder de vista a efetividade e a celeridade dos processos, bem como às necessidades da advocacia.

 

ON Jornal - De que forma a sua experiência acadêmica e prática internacional pode trazer novas perspectivas e soluções inovadoras para a magistratura estadual?

 

Dra. Laura Lucas- A experiência acadêmica me deu rigor metodológico e espírito crítico, enquanto a prática internacional me permitiu conhecer diferentes culturas, sistemas jurídicos, políticas públicas e mecanismos de garantia de direitos.

 

Essa vivência e intercambio acadêmico me possibilita trazer ao TJAM uma visão comparada, com soluções que já se mostraram eficazes em outros contextos, adaptando-as à realidade amazônica.

 

Por exemplo, mecanismos de justiça restaurativa, mediação comunitária, uso de tecnologia para ampliar o acesso remoto à justiça, bem como políticas de igualdade de gênero e diversidade no próprio ambiente institucional. Acredito que essa combinação de teoria e prática, local e global, pode gerar respostas mais criativas e eficazes para os desafios regionais.

 

ON Jornal - Caso seja escolhida, quais seriam suas prioridades para garantir que o TJAM se torne mais inclusivo, acessível e sensível às demandas da população em situação de vulnerabilidade?

 

Dra. Laura Lucas- Minhas prioridades se organizariam em três eixos principais: advogados, jurisdicionados e servidores.

 

Advogados: fortalecer o diálogo institucional com a advocacia, assegurando condições adequadas de trabalho, maior transparência e celeridade processual. Um Tribunal que valoriza a advocacia fortalece também o direito de defesa e o acesso à Justiça.

 

Jurisdicionados: tornar a Justiça mais acessível e humana, por meio da ampliação de canais de atendimento remoto, da aproximação com populações em áreas de difícil acesso e da adoção de práticas restaurativas e inclusivas. O jurisdicionado deve sentir que o Judiciário é um espaço de escuta, acolhimento e efetiva proteção de seus direitos.

 

Servidores: investir na formação continuada, no bem-estar e na valorização do corpo técnico, que é a base de funcionamento do Tribunal. Um servidor motivado e qualificado garante um serviço público mais eficiente, humanizado e próximo da sociedade.

 

Os mais de 80 milhões de processos que tramitam hoje no judiciário brasileiro apontam credibilidade na justiça, por isso é dever da magistratura oferecer um justiça eficiente, que dialogue com a advocacia e que cada cidadão amazonense, independentemente de sua origem ou condição, sinta que a Justiça é um espaço que o acolhe, protege e garante seus direitos.

 

Sobre Dra. Laura Lucas

Secretária-geral da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica no Amazonas (ABMCJ/AM), Laura participou, em março deste ano, do Global Forum of Women in Law, realizado na Universidade de Missouri. No evento, que celebrou o Dia Internacional da Mulher e foi promovido por uma parceria da Universidade do Missouri com o Newman Institute, ministrou palestra sobre “Gênero e Poder”.  O fórum promoveu trocas de experiências entre mulheres inspiradoras e deu início à elaboração da Carta de Cape Girardeau, com metas para reduzir a desigualdade de gênero nos tribunais brasileiros.

 

Autora do livro Sustentabilidade de Gênero (Lumen Juris, 2024), que conecta os princípios ESG à inclusão feminina no mercado de trabalho, e coautora da obra coletiva As Especificidades Jurídicas da Região Amazônica (Tirant, 2025), com capítulo dedicado à mortalidade materna no Amazonas, Lucas traz à tona a reflexão sobre os desafios sociais e geográficos da nossa região.

 

Reconhecida pela promoção do protagonismo feminino nos espaços de poder, organizou em 2025 o evento “Cine Mulher – Roteiro Eu Me Dirijo”, que reuniu expoentes jurídicas amazonenses para debater a liderança das mulheres no Direito. Participou também como palestrante em debates sobre assédio no ambiente de trabalho e saúde mental, sempre com abordagem técnica e humanizada.

 

Mais uma vez em âmbito internacional, marcou presença na II Summer School de Ecologia Integral, na Itália, evento que discutiu cidadania e transformação social, destacando a importância da Amazônia no cenário global, além de orientar projetos acadêmicos que conectam justiça e desenvolvimento sustentável.

 

Com sólida atuação como advogada, professora, pesquisadora e liderança institucional, Dra. Laura Lucas reúne trajetória acadêmica, experiência profissional, engajamento social que a credenciam como um nome relevante e que atende aos requisitos para assumir com maestria a vaga disponível no TJAM.

 

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