O mês de dezembro traz consigo a campanha nacional "Dezembro Laranja", que busca conscientizar a população sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele. No Amazonas, dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) revelam uma realidade preocupante, com números alarmantes sobre a incidência dessa doença nos últimos anos.
Entre 2019 e 2022, foram diagnosticados 2.188 casos de câncer de pele, sendo que somente no primeiro semestre de 2023 foram identificados 350 novos casos. Esses dados indicam uma tendência preocupante e reforçam a importância da conscientização e adoção de práticas preventivas pela população amazonense.
Para entender a importância da campanha e orientar as pessoas sobre os cuidados com a pele, o ON Jornal conversou com exclusividade, com a Dermatologista da Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (FUHAM) e especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Isy Peixoto, que falou sobre conscientização e a práticas preventivas para reverter tendências preocupantes do câncer de pele no Amazonas.
ON JORNAL- Na FUHAM, como a campanha orienta, na prática, as pessoas sobre os cuidados com a pele?
Dra. Isy Peixoto- A campanha Dezembro Laranja divulga a noção de que a fotoproteção, a proteção aos raios solares, reúne simples atitudes. Como por exemplo, evitar se expor ao sol nos horários de maior incidência dos raios solares que, em média, acontece entre 9h e 16h. Usar óculos escuros. Quem trabalha ao ar livre, que não tem como não ficar exposto ao solo nesses horários, use proteção individual como chapéus de abas grandes, que cubram pelo menos a região da face e do pescoço. Use roupas de mangas, que cubram todo o braço. E, se possível, use protetor solar. São atitudes como essas que evitam o câncer de pele.
ON JORNAL- No Amazonas, quais os dados de registro de casos de câncer de pele?
Dra. Isy Peixoto- A análise por faixa etária revela padrões significativos. Nos últimos quatro anos, 23 casos foram registrados em pessoas com idade entre 0 e 19 anos, sinalizando a necessidade de atenção desde a infância para a prevenção do câncer de pele. Além disso, a faixa etária mais afetada foi a de 60 a 79 anos, com 1.150 casos, destacando a vulnerabilidade desse grupo.
ON JORNAL- Quais os dados de incidência por idade?
Dra. Isy Peixoto- Em 2023, a situação não apresenta melhorias significativas. A faixa etária mais acometida continua sendo a de 60 a 79 anos, com 197 casos, seguida pela faixa de 40 a 59 anos, com 84 casos. A preocupação se estende aos idosos com 80 anos ou mais, registrando 56 casos, e mesmo entre os mais jovens, de 20 a 39 anos, foram identificados 12 casos. Surpreendentemente, há ainda um caso na faixa etária de 0 a 19 anos, reforçando a necessidade de medidas preventivas desde a juventude.
ON JORNAL - Qual o gênero mais afetado?
Dra. Isy Peixoto - Em relação ao sexo, no período de 2019 a 2022, 1.155 casos foram diagnosticados em mulheres e 1.033 casos em homens. No 1º semestre de 2023, foram 172 mulheres diagnosticadas e 178 homens com o diagnóstico de câncer de pele. Os dados são referentes aos atendimentos realizados na Fuham.
Esses números ressaltam a necessidade de campanhas de conscientização que alcancem ambos os gêneros, buscando uma equidade no cuidado dermatológico. Os dados alarmantes são provenientes da Diretoria de Controle de Doenças e Epidemiologia (DCDE) e referem-se aos atendimentos realizados em todo o Amazonas.
ON JORNAL- Quais primeiros sinais que a pele dá quando algo não vai bem?
Dra. Isy Peixoto- Nós devemos nos atentar pra aquelas lesões que ferem e não saram, não cicatrizam. Lesões escamosas e vermelhas também podem ser um câncer de pele e devem chamar atenção. Normalmente, são lesões únicas que persistem e vão crescendo. Aquela pinta que mudou de aspecto ou uma pinta nova devem chamar atenção do paciente pra que procure um especialista. Especialista vai avaliar se é uma lesão suspeita e, então, proceder a biópsia da lesão.
ON JORNAL- Qual orientação em relação a filtros solares?
Em relação ao filtro solar ou protetor solar, o mesmo deve ter um FPS, que é o Fator de Proteção Solar, de (índice) trinta ou superior, e também deve conter no rótulo da embalagem a proteção contra o UVa que é o FPUVa (Fator de Proteção ao Ultra-violeta). Esse FPS, que deve ser trinta ou superior, com FUVa com pelo menos a metade desse valor. Em tipo de protetor solar, normalmente, nós orientamos o uso de gel, creme ou loções cremosas, que possam ter uma melhor espalhabilidade sobre a superfície da pele.
O uso de spray deve ser destinado especialmente pra a reaplicação, após duas ou três horas, por exemplo. Importante: o uso de filtro solar com pó compacto, este a gente não orienta o uso unicamente como um filtro solar em si. Mas pode somar à finalização da aplicação. Porém, ele não confere uma camada igualmente sobre a pele. Então protetor solar em pó compacto somente não é a nossa orientação.
ON JORNAL- Qual o fluxo do atendimento a uma pessoa com suspeita de câncer de pele, nas redes de Saúde?
Ao paciente com uma lesão suspeita ou identificado uma lesão numa consulta de rotina é feita então uma biópsia daquela lesão. Um pequeno fragmento da pele é retirado para análise de microscópio e, a partir de então, é feito então o diagnóstico da lesão, do tipo de lesão, se é benigna ou maligna. E e se confirmar um câncer de pele, é então oferecido o tratamento.
O principal tratamento do câncer de pele é o tratamento cirúrgico. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pele demanda uma cirurgia muito mais simples do que quando diagnosticados tardiamente. Tumores maiores necessitam de cirurgias mais complexas e alguns tumores maiores também podem ter 1 risco maior de metástase. Tanto pra nifonodo, que é uma metástase regional quanto pra metástase distante da célula, que se desprende da pele e atinge órgãos à distância. Aí, é um tumor muito mais grave que necessita ou de um procedimento maior ou mesmo de tratamento sistêmico, como o caso do melanoma.

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