O Defensor Público, Carlos Alberto Souza de Almeida Filho já atua há mais de 20 anos em defesa das causas judiciais no Amazonas, também é político, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde de 2023 e já foi vice-governador do Estado em 2018.
Como defensor público, Carlos Almeida Filho atuou em aproximadamente 1.500 causas, ligadas aos direitos básicos e direitos do consumidor, com destaque para a problemática das ocupações irregulares de terras e moradias.
Como ex-vice-governador, seguiu na defesa das causas coletivas, fazendo uso dos instrumentos do Estado para promover políticas públicas de inclusão. Ocupou cargos de Secretário de Saúde e Secretário da Casa Civil do Estado, pedindo exoneração do último em maio de 2020.

Em entrevista ao ON Jornal, ele conta sobre sua trajetória de trabalho até sua entrada na política, tornando-se vice-governador, um dos cargos mais importante do Estado. Confira.
ON Jornal - Como começou sua trajetória como defensor público e o que o levou a se interessar pela política?
Carlos Almeida - Este ano faço 20 anos como defensor público. E o que mais vejo como profissional é a população desassistida em políticas básicas fundamentais, o que acaba levando aos conflitos que nos batem à porta da defensoria: falta de moradia, problemas de saúde pública, criminalização de populações mais carentes, etc.
Tudo isso é consequência da ausência de políticas públicas e me pareceu que ficar litigando contra as consequências era o mesmo que ficar limpando água suja, era o caso de atuar antes, de se evitar que tal ocorresse. Ir à política, então, é uma decisão de defensor, ao se tentar implantar políticas públicas de base.
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ON Jornal - Você defensor público como enxerga o trabalho de fiscalização para garantir os direitos da população?
Carlos Almeida - Não é bem fiscalização que o defensor público faz, somos agentes políticos de modificação social, o que nos leva à busca de soluções para os problemas da população, o que não necessariamente tem de ser de forma judicial, boa parte de nossa atuação pode e deve ser feita através de comunicação e militância: sim, a garantia de direitos se faz através de esclarecimentos constantes e defesa empedernida de direitos humanos.
ON Jornal - Sendo ex-vice-governador ao lado de Wilson Lima como seu trabalho influenciou sua atuação na Defensoria Pública?
Carlos Almeida - Eu já era defensor há 15 anos quando adentrei na Administração Pública, tendo grande preocupação com a construção de políticas públicas de base. A visão, de dentro máquina, permite compreender as dificuldades na realização de políticas públicas na forma como a Política está construída hoje.

Mas o fato é que, sem romper com as mesmas velhas práticas, se continuará vendo o aumento da pobreza da população e de nosso Estado, ao passo que degringolamos cada vez mais numa escalada de problemas ambientais. A Política tem de parar de olhar exclusivamente para seu próprio umbigo.
ON Jornal – Você acredita que houveram avanços em políticas públicas voltadas para a população vulnerável? Como esses avanços se conectam com o trabalho da DPE-AM hoje?
Carlos Almeida - A excluir a atuação do governo federal, infelizmente não existem políticas públicas sólidas nesse sentido. O que continuam existindo são peças de propaganda governamentais ou, quando muito, programas de governo, que têm duração tão longa quanto a solidez destes.
Não se podem chamar atuações cosméticas de avanços, pois, de fato, o Estado e as cidades estão abandonados: a pobreza cresce e não existe nenhuma proposta de desenvolvimento econômico-social em pauta. De minha parte, acredito que uma solução seria a implementação do Cinturão Verde.
ON Jornal – Sendo filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), como é essa relação?
Carlos Almeida - Eu estou filiado ao Partido dos Trabalhadores desde meados de 2023. Ainda que a presidência estadual seja fisiológica e detratora dos princípios do próprio partido – e da esquerda –, e venha tentando limar quem construa o oposto, como eu, sigo no partido.
ON Jornal - Haveria a possibilidade de se candidatar para algum cargo político sendo filiado ao PT?
Carlos Almeida - A construção de candidaturas no partido observa seus rituais internos. Por hora, sou um militante, como qualquer um dos filiados.
ON Jornal- O que esperar do cenário político atual, dos vereadores eleitos e dos atuais que já estão no poder?
Carlos Almeida – Às vezes, somente na iminência da hecatombe (catástrofe), é que se consegue sobrelevar vicissitudes (eventos inesperados), voltando-se ao essencial. Foi assim no pós-guerra, após 1945. O lance é: perceberão que estamos na beira do abismo?
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