quarta, 12 de agosto de 2026
29/07/2026   14:20h - Saúde

Dor crônica pode influenciar no tratamento da depressão

Pacientes classificados com depressão resistente ao tratamento podem não ter uma doença refratária a remédios, mas sim uma dor crônica que nunca foi adequadamente medida. Um artigo publicado na revista Nature Mental Health na terça-feira (28), alerta que a dor persistente é comum em pessoas diagnosticadas com depressão e diminui a eficácia dos antidepressivos. No entanto, o impacto doloroso não faz parte dos questionários padrão nem das definições clínicas para reclassificar a resistência do quadro.

 

Um dos autores da pesquisa, o médico Nilson Mendes Neto, da Harvard Medical School, enfatiza que os critérios atuais focam apenas na falha medicamentosa e ignoram a carga de dor do paciente. Instrumentos populares, como o PHQ-9 e a escala de Hamilton, não possuem métricas para a intensidade das dores físicas. Por conta dessa falha estrutural de rastreio, torna-se difícil determinar em quantos indivíduos a aparente falha dos psicotrópicos é motivada por condições dolorosas subjacentes.

 

Para o Sistema Único de Saúde (SUS), os pesquisadores defendem a inclusão de um protocolo simples e padronizado de avaliação de dor antes de encaminhar o paciente para tratamentos psiquiátricos mais caros e complexos. O rastreio integrado na atenção primária e nos CAPS permitiria identificar problemas como fibromialgia, lombalgia e neuropatias, garantindo diagnósticos mais precisos e tratamentos direcionados sem que os pacientes interrompam as medicações de forma precoce.

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