No dia 27 de setembro, a Arquidiocese de Manaus recebeu a notícia da nomeação do novo bispo auxiliar, Padre Zenildo Lima da Silva, que pertence ao clero diocesano de Manaus e também Reitor do Seminário São José. Sua eleição foi anunciada em coletiva de imprensa ocorrida no Seminário São José.
Na ocasião o Cardeal Arcebispo da Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo Ulrich Steiner agradeceu ao Papa Francisco por ter aceito a indicação de Padre Zenildo para ser bispo auxiliar nas terras amazônicas.
Conhecendo um pouco mais de Padre Zenildo Lima
Nasceu em Manaus, no dia 14 de outubro de 1968, é o sexto filho de uma família de 10 irmãos. Ingressou no Seminário Arquidiocesano São José de Manaus no dia 18 de fevereiro de 1989, cursando Filosofia e Teologia no Centro de Estudos do Comportamento Humano – CENESCH, em Manaus, de 1989 a 1995, sendo ordenado presbítero diocesano em 4 de agosto de 1996.
Fez mestrado em Teologia, com especialização em Teologia Dogmática junto a Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, tendo feito sua dissertação sobre a “Dimensão Eclesial do Ministério Presbiteral” – com reconhecimento pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Na Arquidiocese de Manaus esteve à frente das paróquias de Cristo Libertador (1993-1994), Santa Luzia da Matinha (1995-1996), São Lázaro (1997-1998), Santa Cruz (2000-2002), Nossa Senhora Auxiliadora ( 2003-2005) e São Raimundo (2007-2011 e 2015-2016). Assumiu diversos cargos como o de coordenador da Pastoral Vocacional (1995-1996), coordenador da Pastoral Presbiteral (1997-1998), membro do Colégio de Consultores e reitor do Seminário São José, serviço que assumia o momento de sua nomeação episcopal.
No Regional Norte 1, foi coordenador da Pastoral Vocacional e Pastoral Presbiteral (1997-1998), diretor do Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia – ITEPES (2006-2013) e secretário Executivo do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (2012-2015). Também foi secretário da Comissão Nacional de Presbíteros da CNBB (2004-2008) e vice-presidente da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil – OSIB, da CNBB (2018-2022).
Em 2019, foi auditor na Assembleia Sinodal do Sínodo para a Amazônia, no Vaticano, colaborando com a Equipe de Síntese da REPAM-Brasil. E, recentemente, em agosto de 2023, foi eleito um dos vice-presidentes da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA).
A equipe de jornalismo do ON Jornal conversou com o Padre Zenildo Lima que relata como recebeu a notícia da nomeação episcopal e quais os sentimentos perpassam neste momento novo e de grande responsabilidade perante a Igreja Católica.
Padre Zenildo: “É uma nomeação que, claro sempre nos surpreende. É um pedido que sempre parece além das nossas capacidades, a gente recebe a indicação, recebe a nomeação sempre com um receio, respeitoso e reconhecendo a responsabilidade desse serviço. Reconhecendo a seriedade, a importância do papel da igreja nesse momento histórico que nós vivemos. Portanto, é um ministério que tem que ser exercido com muita seriedade, propriedade e profundidade”.
ON JORNAL – Qual a importância dessa nomeação para a cidade de Manaus e ao Estado do Amazonas?
Padre Zenildo: “Vivo a singularidade desse momento, sobretudo na interioridade em experimentar a misericórdia de Deus. Ele é bom, nos escolhe e nos elege; Vivo a experiência de comunhão que a gente vide com essa igreja de Manaus. É também um ato de confiança da igreja. É um ato de confiança da parte do Cardeal Leonardo Steiner em escolher um presbítero local para auxiliá-lo no governo da arquidiocese.
Mas vejo também um momento de maturidade da igreja de Manaus, da igreja da Amazônia. A nomeação para o ministério episcopal de presbíteros da nossa região ainda é uma realidade nova para nós. Mas que já começa dar seus sinais que a igreja local está amadurecendo e que a história de evangelização nessa região tem seus frutos da presença viva do evangelho, da presença de uma igreja que assume a vida dos povos dessa região”.
ON JORNAL – O que motiva o senhor a dizer SIM neste novo momento da sua vida religiosa?
Padre Zenildo: “É bem verdade que essa nomeação nos faz fazer uma releitura da nossa história, mas também lança o nosso olhar para frente com o compromisso da evangelização, com anúncio do evangelho e com o Reino de Deus. Nos impele a cuidar da casa comum, de cuidar daquilo que é nosso, levando o bem-comum a todos os homens e mulheres de boa-vontade”.
ON JORNAL – Quais são os desafios que a igreja local enfrenta na missão?
Padre Zenildo: “Nós vivemos é um momento de pluralidade e a igreja tem sempre que encontrar o modo de como se fazer presente e consciente, sendo portadora de uma boa notícia nesses tempos de bastante diversidade, no ponto de vista, no pensamento das concepções de valores, na diversidade cultural e também do pluralismo religioso. A igreja local tem feito um caminho muito bonito, nós estamos chamando isso de caminho sinodal. A igreja traz a sua capacidade de diálogo e de comunhão, mas sempre portadora de uma boa notícia. A igreja católica na cidade de Manaus tem a sua importância, capacidade, respeito e tem o seu papel importantíssimo no ponto de vista da evangelização, mas também no ponto de vista do cuidado da vida dos homens e mulheres das populações mais fragilizadas da cidade. Temos o desafio de sermos fiéis a Jesus Cristo e ao reino de Deus, de sermos fiéis ao anúncio do amor de Deus e ao cuidado com a vida de homens e mulheres”.
ON JORNAL – Qual mensagem o senhor deixa para os jovens da região amazônica?
Padre Zenildo: “Nesses novos tempos nós corremos o risco de olhar e de categorizar a juventude, até mesmo debaixo de alguns critérios da nossa estrutura religiosa. A juventude é sempre uma força que encaminha e realiza. Não é à toa que estamos elaborando o sínodo diocesano para escutar a juventude. Eu acho que cada vez mais a promoção vocacional — que sempre foi uma promoção marcada pela proposta da igreja, para uma resposta da juventude. O diálogo com a juventude faz parte da própria dinâmica vocacional. Temos que aprender a escutar os jovens. Eu não acredito que hoje os jovens sejam menos interessados pela igreja, pelo contrário, o jovem sempre traz consigo uma inquietação que é própria. Cabe a igreja o papel de compreender e interpretar essa inquietação para apresentar, de um modo novo, a proposta sempre atual do evangelho.
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