O maior e mais importante jornal impresso da Nicarágua, La Prensa, anunciou nesta quinta- -feira (12) que deixará de circular devido a um “sequestro de papel”, que vem sendo realizado pelo regime de Daniel Ortega. A empresa não tem conseguido retirar o material importado da aduana, onde está retido há mais de seis meses. A publicação afirma ser vítima de perseguição política devido a seu posicionamento crítico à ditadura. Além de não conseguir acessar o papel, o diário La Prensa teve jornalistas ameaçados e presos, e seus anunciantes foram pressionados a deixar de financiá-lo. O jornal afirmou que vinha apelando à Justiça para ter direito a receber a matéria-prima, mas que jamais recebeu resposta. A partir de amanhã, o veículo terá apenas sua versão digital. Fundado em 1926, La Prensa esteve alinhado com o movimento sandinista contra o regime de Anastasio Somoza, em 1979. Uma de suas figuras mais importantes foi Pedro Joaquín Chamorro, seu presidente, assassinado em 1978 pela repressão somozista. Ele era marido de Violeta Chamorro, que viria a liderar o país em 1990, e pai do jornalista Carlos Fernando Chamorro e da pré-candidata Cristiana Chamorro, que foi processada pelo regime e está impedida de concorrer a eleição, em novembro.
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