Um mês após a confirmação do surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo, profissionais de saúde e autoridades alertam que a real extensão da doença é desconhecida devido a graves lacunas de dados. Com 782 casos confirmados e 181 mortes registradas oficialmente nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, este já é o terceiro surto mais mortal da história. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirma que os números oficiais estão subestimados porque muitas mortes ocorrem nas comunidades sem o conhecimento do governo.
A escassez de kits de teste, os atrasos laboratoriais e a extrema dificuldade de harmonizar os dados entre hospitais e equipes de vigilância epidemiológica comprometem a resposta à crise. Além disso, a infraestrutura de saúde está severamente sobrecarregada: existem apenas 14 centros de isolamento e tratamento para cobrir as 31 zonas de saúde já afetadas pelo vírus. Em diversas localidades isoladas, a ausência de leitos faz com que pacientes infectados retornem para suas casas, acelerando o contágio local.
Paralelamente aos desafios logísticos, as equipes de socorro enfrentam forte desconfiança e episódios de violência por parte da população. Incidentes recentes envolvem ataques a equipes de sepultamento seguro e protestos em funerais, além de relatos de pacientes que fugiram dos centros de isolamento. Diante do cenário crítico, a MSF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) fazem um apelo urgente para que as autoridades reforcem o engajamento comunitário e garantam a segurança dos agentes de saúde antes que a janela de oportunidade para conter a epidemia se feche.
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