O segundo mandato de Donald Trump marcou o retorno da política comercial America First com mais pressão internacional. Em fevereiro, os Estados Unidos lançaram o plano de comércio “justo e recíproco” e intensificaram o uso de tarifas de importação para conter o déficit comercial e impulsionar a indústria doméstica. As novas medidas vêm acirrando tensões comerciais globais, provocando ameaças de retaliação e ampliando a incerteza econômica. Sem recuo, essas ações tendem a enfraquecer as cadeias globais de valor, alterar fluxos comerciais, elevar a inflação e forçar altas nos juros fatores que afetam diretamente o crescimento mundial.
A parceria econômica entre Brasil e EUA é estratégica, com fluxos robustos de comércio e investimentos. Os EUA são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira e lideram como origem e destino de investimentos bilaterais. Em 11 dos 20 principais produtos exportados pelo Brasil, somos o maior fornecedor do mercado americano.
A decisão dos EUA de aplicar tarifas adicionais de 10% sobre produtos brasileiros, além de taxar adicionalmente setores específicos, é preocupante. Embora os EUA mantenham superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos totalizando US$ 256,9 bilhões na última década quando se consideram bens e serviços, o governo norte-americano optou por barreiras que comprometem essa relação historicamente vantajosa. O impacto recai sobre o Brasil, com efeitos sobre a taxa de câmbio, inflação e crescimento. Se o diferencial de juros entre Brasil e EUA cair, o real tende a se desvalorizar, o que pode forçar o Banco Central a manter juros altos, dificultando ainda mais a retomada econômica.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.