quinta, 23 de abril de 2026
20/11/2024   08:00h - Especial

Dia Nacional da Consciência Negra reforça a importância de combater a desigualdade racial

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi oficialmente instituído como feriado nacional pela Lei nº 14.759/2023. A data, escolhida em homenagem a Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência à escravidão, marca um importante passo para a valorização da história e cultura afro-brasileira. Além de celebrar a luta de resistência dos negros ao longo da história, o dia também serve como reflexão sobre os mais de 300 anos de escravidão no Brasil.

 

O Dia da Consciência Negra vai além de um momento de celebração cultural, é uma oportunidade para discutir as desigualdades raciais persistentes na sociedade, destacando os desafios enfrentados pela população negra em áreas como educação, saúde, segurança e emprego.

 

Para compreender melhor o impacto e a importância dessa data, o ON Jornal entrevistou, com exclusividade o Mestre Negão Jorge Varela, natural do Rio de Janeiro, militar reformado, promotor de eventos e ativista cultural em Manaus-AM. Ele compartilhou sua visão sobre a relevância da data e os projetos que realiza para apoiar a comunidade negra na região.

 

ON JORNAL – Você é promotor de eventos e ativista cultural, mais afinal, como iniciou a sua história?

 

JORGE VARELA – Bem, o Mestre Jorge Varela, é natural do Rio de Janeiro, chegou a Manaus em 1987 como militar da Marinha, servindo na Flotilha do Amazonas. Morando na Praça 14, conheceu importantes compositores locais e começou sua trajetória musical. Além de cantor, compositor, intérprete e Mestre Maçom, Varela é ativista cultural e empreendedor, com projetos como o Pagode do Negão Varela, Quintal de Jorge e Casa de Jorge-Pub. Ao longo dos anos, realizou eventos como a Festa de São Jorge e a Festa da Consciência Negra, e colaborou com grandes nomes da música. Sua contribuição para a cultura de Manaus foi reconhecida com o título de "Mestre da Cultura de Manaus", através da Lei Paulo Gustavo, em agradecimento ao seu trabalho dedicado à música e à cultura local.

 

ON JORNAL – Você faz parte do Programa de Benevolência da Loja Bentottora da Ordem Juscelino Kubitschek de Oliveira. Esse programa é voltado para que? E como ele tem ajudado a comunidade?

 

JORGE VARELA – A Loja Maçônica Juscelino Kubitschek, da qual sou vice-presidente, tem se destacado como benfeitora ao apoiar diversas instituições. Contribuímos com o Monte Sallem, que abriga crianças abandonadas e órfãs, com a comunidade do Prossamin, no Morro da Liberdade, e com o Instituto Reino do Amanhã (IRA), projeto da Escola de Samba Reino Unido da Liberdade. Também realizamos doações para comunidades ribeirinhas durante a pandemia e para a ONG Recanto de Preta Mina, fornecendo material para a feijoada servida a pessoas em situação de rua, entre outras iniciativas de apoio.

 

ON JORNAL – Qual trabalho e as principais ações realizadas pelo programa a como a Loja Benfatfora da Ordem tem conseguido unir esforços para atender as necessidades de pessoas vulneráveis?

 

JORGE VARELA – Na Loja, os esforços e as doações para instituições ou pessoas em situação de vulnerabilidade são organizados por meio de contribuições entre os irmãos membros. As necessidades são apresentadas nas assembleias, onde são discutidas e, se aprovadas, realizamos uma visita ao local para avaliar a situação. Com base nesse levantamento, definimos os valores necessários para a ajuda.

 

ON JORNAL – O que te inspirou a começar a ajudar a comunidade e qual a sua principal motivação?

 

JORGE VARELA – Não sou amplamente conhecido pelas ações sociais que realizo, pois preferimos manter a discrição sobre o que fazemos para ajudar. Sou mais reconhecido pela minha contribuição cultural, especialmente na música, pelos espaços sociais que criei, pelas composições que se tornaram populares e pelo empreendedorismo em locais de shows que administrei, trazendo artistas nacionais e locais. O que me inspira é proporcionar alegria às pessoas que apreciam boa música e shows bem planejados.

 

ON JORNAL – Quais os principais desafios que você encontra ao atuar na comunidade?

 

JORGE VARELA – Atualmente, o maior desafio é encontrar locais acessíveis para empreender, gerar empregos e contribuir para a comunidade onde estamos estabelecidos. A ajuda que conseguimos oferecer, principalmente financeira, é limitada pela alta dos custos, o que dificulta a realização de todos os nossos planos. No entanto, o que conseguimos fazer, fazemos com muito amor e dedicação.

 

ON JORNAL - Você poderia compartilhar uma história marcante que demonstre o impacto do seu trabalho?

 

JORGE VARELA – A experiência é que quando realizávamos nosso evento no Calçadão da Suframa aos sábados, como forma de agradecimento, oferecíamos um almoço musical com feijoada totalmente gratuita para quem quisesse saborear. Em algumas ocasiões, pessoas de várias localidades vinham para aproveitar a refeição. Em nossos eventos anuais, também destinamos parte do que arrecadamos para preparar alimentos, e caso sobre, fazemos doações para quem precisar. Essas ações trazem uma grande sensação de satisfação e gratidão, sempre agradecendo a Deus para que nunca nos falte.

 

ON JORNAL – O que o Dia da Consciência Negra representa para você, e como ele inspira suas ações?

 

JORGE VARELA – Reflete sobre a importância da Consciência Negra, comemorada no Dia de Zumbi dos Palmares, destacando que essa reflexão não deve ser limitada a uma data específica. Segundo o autor, a conscientização sobre o sofrimento dos antepassados e as opressões atuais, como pobreza e desigualdade, deve ser diária. Ele critica a ganância que perpetua a miséria e compara essas condições à "escravidão branca" moderna, reforçando a necessidade de combater essas injustiças.

 

ON JORNAL – Como você vê o papel da educação e da cultura na luta contra o racismo e na valorização da comunidade negra?

 

JORGE VARELA – Ainda há muito a ser feito para que o negro ocupe papéis principais na sociedade. Através da educação e o profissionalismo, ele pode alcançar o reconhecimento merecido. A desvalorização por conta da cor da pele ainda persiste, muitas vezes favorecendo indivíduos de pele mais clara, mesmo quando o conhecimento do negro é superior. É fundamental que ele lute pelo seu lugar, com garra, vontade e eficiência, sem se sentir inferior. A chave para a valorização é o estudo constante, buscando sempre ser reconhecido em sua comunidade e no ambiente de trabalho.

 

ON JORNAL – Quais projetos ou iniciativas você desenvolve que estão alinhados com a causa do Dia da Consciência Negra?

 

JORGE VARELA – O objetivo do projeto, agora é fortalecer a nossa “Secretaria de Relações Institucionais e Promoção da Igualdade Social”, sob a liderança do titular e secretário Walfran, para que possamos desenvolver e promover a união entre diferentes raças, crenças e culturas.

 

ON JORNAL – Que mensagem você gostaria de deixar para inspirar as pessoas a contribuírem para a igualdade racial e o bem-estar social?

 

JORGE VARELA – A mensagem é que o negro nunca esmoreça e esteja sempre à frente, buscando o melhor para si e para o próximo. A palavra de ordem é estudo e educação, pois é fundamental nunca esquecer os mais de 300 anos de sofrimento impostos aos nossos antepassados. "A BANDEIRA DE LUTA AINDA ESTÁ ESTENDIDA". Salve a negritude, salve o Dia Nacional da Consciência Negra! Temos direito à vida. Consciência não tem cor, mas deve haver respeito.

 

Por: Andreia Fernandes

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