Desde a quinta-feira (28), a humanidade vive às custas de uma espécie de cheque especial ambiental. Bateu no limite do saldo natural disponível, consumindo mais do que a Terra consegue produzir de maneira sustentável no período de um ano, esgotando a capacidade de regeneração do planeta. Em menos de sete meses completos, chegamos ao Dia da Sobrecarga da Terra – uma estimativa que aponta o quanto excedemos o "orçamento" disponível e começamos a operar no vermelho.
O preço a pagar pode não ser sentido imediatamente, mas vai crescendo a cada dia, e com juros altos. Talvez um rio não tenha secado no início da semana. Talvez uma clareira não tenha sido aberta onde antes havia vegetação nativa. Talvez a emissão de gases tóxicos não tenha atingido um pico. Talvez uma espécie da fauna ou da flora não tenha desaparecido sem deixar rastros. Mas os sinais do desgaste natural vão se acumulando, e a capacidade da Terra de suportar a demanda por recursos naturais escasseia a cada dia.
O chamado Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) é mais uma forma de conscientização do que uma data que vai dividir o calendário anual em dois. Esse dia, que em um mundo ideal chegaria somente em 31 de dezembro – ou até depois –, tem ocorrido cada vez mais cedo. Calculado pela Global Footprint Network (GFN), organização internacional focada em temas de sustentabilidade, o marco nasceu em dezembro, na década de 1970. Mas vem sendo antecipado desde então, e há mais de 10 anos tem caído em agosto.
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