Ismael Munduruku fala ao On Jornal sobre os desafios que os povos indigenas enfrentam até hoje.
O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado no dia 9 de agosto. Essa data marca a importância dos povos indígenas para as sociedades mundiais. Foi criada em 1995 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esse dia comemorativo é um instrumento de luta e apoio às causas indígenas.
O contexto histórico de criação dessa data esteve atrelado à necessidade de demarcar a importância desses povos para as sociedades mundiais. Além disso, a referida data busca reconhecer e valorizar toda a contribuição histórica, política, econômica e cultural dos povos indígenas. Portanto, o Dia Internacional dos Povos Indígenas é parte de um movimento maior de valorização dos povos indígenas mundiais."
Pensando nessa data e nessa dedicação, em contar um pouco da história, o On Jornal entrevistou o Cacique Ismael Munduruku, que contou sobre sua trajetória e os desafios que enfrenta até hoje para a valorização de seus povos.
ON JORNAL: Qual é a sua etnia?
Ismael Munduruku: A minha etnia é munduruku um
povo de tradição guerreira, os Munduruku dominavam culturalmente a região do Vale do Tapajós. Hoje, suas guerras contemporâneas estão voltadas para garantir a integridade de seu território, ameaçado pelas pressões das atividades ilegais dos garimpos de ouro, pelos projetos hidrelétricos e a construção de uma grande hidrovia no Tapajós.
ON JORNAL: Qual a importância do território para os povos indígenas?
Ismael Munduruku: A importância para os povos indígenas é garantir a vida, a continuidade das gerações indígenas futuras, é garantir a preservação, é dar dignidade às populações indígenas tradicionais, é reconhecer a sua posse antes do Estado Brasileiro. Isso é muito importante, os territórios indígenas para nós, porque é a nossa vida, é como se aquilo lá fizesse parte do nosso corpo.
ON JORNAL: O que significa a pintura corporal dos indígenas?
Ismael Munduruku: Sobre a pintura corporal. Bom, cada povo tem algo relacionado à pintura dele. E depende também de algumas situações. Tem pintura para mulheres, que mostra que ela é uma mulher casada, que identifica ela como uma mulher solteira. Da mesma forma, os homens solteiros, os homens casados. A pintura também é uma linguagem para identificar as outras etnias. No primeiro momento, a pintura é uma pintura para os próprios jovens, para os homens casados. A pintura também é específica para cada um, e mostrar que nós temos habilidades, assim como os animais da floresta.
ON JORNAL: Como é visto a ancestralidade indígena no Brasil?
Ismael Munduruku: A ancestralidade indígena do Brasil, ela é vista de forma discriminatória, desvalorizada e muito racista. O Brasil precisa valorizar mais os donos do Brasil, precisam respeitar mais a ancestralidade dos povos tradicionais, os povos originários do país. Então, acredito que hoje a ancestralidade, no Brasil, apesar de muitas lutas e reivindicações, nós ainda não temos o reconhecimento que merecemos, do poder público, e principalmente das entidades representativas do país, da Câmara Federal, e do Senado. Acredito que não era para haver nem discussões sobre determinadas coisas, sabe? Mas ainda, infelizmente, a gente ainda luta muito.
ON JORNAL: Qual a situação atual dos povos indígenas?
Ismael Munduruku: Atualmente, a situação dos indígenas, de onde a gente vive, que é Manaus, Amazonas. É uma situação, apesar de nós já termos grandes conquistas, como o Parque das Tribos e outras comunidades indígenas, em que o poder público tem feito alguma coisa, mas no geral a população indígena ainda vivi em uma situação escasso, em algumas situações de abandono, como os territórios não tem fiscalização, não tem vigilância, os próprios indígenas é que tem que combater com traficantes, com invasores de terra, com madeireiros, com garimpeiros, e o Estado fica aí de lado, omisso a essa situação.
Tem uma funai que foi criada há muito tempo, e que era para estar fazendo o trabalho que já fez no passado e hoje não faz mais. A funai tinha todo um suporte, tinha estrutura para estar fiscalizando. Hoje a situação é precaria e ainda fazem pouco caso, e é por isso ainda existem muitas comunidades indígenas que estão sem escola, não tem acesso a água potável, não tem acesso a informações corretas. Então essa é a situação atual da população indígena.
ON JORNAL: Atualmente existe alguma tribo isolada?
Ismael Munduruku: Existem sim tribos isoladas no Alto Solimões. A tribo dos corupos, tem uns grupos indígenas que não querem dialogar, e preferem viver do jeito que estão. Então, existem sim povos isolados no estado do Amazonas.
ON JORNAL: Como funciona a economia dos povos indígenas?
Ismael Munduruku: A economia dos povos indígenas ela está basicamente nos seus produtos, produção de artesanato, produção de utensílios, a produção de farinha, o tipiti, o paneiro, o jamanchim e muitos outros utensílios , como a vassoura de cipó, redes, e a pescaria, então eles vendem seus produtos, o peixe salgado, a carne salgada, os utensílios, todas essas coisas, elas giram a economia, para os povos indígenas.
ON JORNAL: Como os indígenas cuidam da saúde?
Ismael Munduruku: Olha, cuidar da saúde para os indígenas é uma coisa que a gente gosta muito de cuidar. É difícil ver um indígena morrer jovem, morrer cedo! A gente cuida da saúde com produtos da floresta, da natureza, com remédios caseiros. Então tem indígenas do meu povo que têm filhos com 50 anos, 55 anos de idade, mulheres tendo filhos com mais de 50 anos de idade, homens fazendo filhos ainda, tendo esse vigor, sendo pai com 70 anos, isso é cuidar da saúde, isso é uma coisa boa. A gente usa muito produtos da floresta, cascas, folhas, frutos, para que a gente tenha vigor físico, vigor mental.
Por: Andreia Fernandes
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.