quinta, 23 de abril de 2026
10/12/2022   08:03h - Entrevistas

Dia 10 de dezembro: Dia Internacional dos Direitos Humanos e o ON Jornal entrevista o Psicólogo João Lucas da Silva Ramos

Em 10 de dezembro, é comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nessa data, em 1948, foi proclamada pela Assembleia Geral da ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), primeiro documento de caráter universal de proteção aos direitos humanos, que tem inspirado desde então as constituições de Estados democráticos.

O ON Jornal conversa com o Psicólogo João Lucas da Silva Ramos pra falar da importância da inclusão social no Brasil. Natural de Manaus, mas morador da cidade de Iranduba-AM desde o nascimento, é Psicólogo formado pela Universidade Federal do Amazonas no Ano de 2019, foi contratado pela Semsa Iranduba logo após a formatura e nesses quase 4 anos já atuou em diversas funções seja no atendimento à População ou em cargos na Gestão do SUS, representando atualmente a SEMSA no Conselho Municipal de Direitos das Crianças e Adolescentes. Na Atuação nos Movimentos Sociais, fez parte do Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Amazonas, e atualmente é Representante Norte no Fórum de Direitos Humanos da Associação Rede Unida. Colabora em atividades de Pesquisa no Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia do ILMD-FIOCRUZ. Confira.

ON Jornal- Qual trabalho você realiza dentro da área?

João Lucas Ramos- Atualmente sou Psicólogo no SUS em Iranduba-AM, estava atuando até pouco tempo na Rede de Atenção Básica à Saúde, atendendo pessoas nas UBS, mas colaboro dentro da Secretaria com o cuidado à pessoas em situação de rua e atualmente com a Educação Permanente em Saúde dos Trabalhadores do SUS, com temas como Violência Baseada em Gênero, Saúde Mental das pessoas vivendo com HIV/AIDS entre outros temas. Sou ainda Conselheiro no Conselho dos Direitos das Crianças e Adolescentes de Iranduba, espaço onde ocorre o Controle Social das Políticas voltadas à esse público. Sou ainda Representante Norte no Fórum de Direitos Humanos da Associação Rede Unida, coletivo preocupado com formação de profissionais de saúde e com o fortalecimento de um SUS mais humano e efetivo. São essas as minhas inserções dentro da Inclusão Social.

ON Jornal- Qual a importância da criação de um dia dedicado à inclusão social?

João Lucas Ramos- É grande, Infelizmente no Brasil gostamos de datas marcadas, assim como o Setembro Amarelo nos convida a propor ações sobre Saúde Mental e Combate ao Suicídio, o dia 10 de dezembro nos remete a pensar em como superar as barreiras que impedem que alcancemos a inclusão social real, para além da oferta apenas de serviço para as pessoas que estão vulnerabilizadas.
ON Jornal- Quais os avanços da inclusão já tiveram no Brasil?

João Lucas Ramos- A Principal é a garantia de acesso ao Ensino Básico para as crianças com deficiência, historicamente no Brasil, crianças com deficiência precisaram ser retiradas das escolas tradicionais por estarem sempre um nível abaixo, coisa que hoje sabemos que não é verdade, temos hoje diversos exemplos de jovens e adultos com TEA e Síndrome de Down, que em outra época nem teriam direito a acessar escolas regulares, ingressando nas universidades públicas por meio dos vestibulares, o que é uma prova de que a Educação muda vidas.

ON Jornal- Qual o principal entrave da inclusão social no país e no estado do Amazonas?

João Lucas Ramos- Para qualquer boa ideia é necessário que tenhamos ferramentas e recursos para que elas possam ser implementadas de fato, é necessário maior presença de iniciativas para a promoção de inclusão no orçamento da União, estados e municípios, bem como uma ampla discussão com as Populações em vulnerabilidade para que possamos garantir que suas necessidades sejam atendidas conforme suas prioridades, por exemplo será se a prioridade a ser sanada de uma pessoa em situação de rua é moradia? talvez para quem veja de fora sim, mas e para eles? Inclusão pressupõe participação ativa, sempre!

ON Jornal- Por que ainda é tão difícil políticas públicas que promovam a inclusão?

João Lucas Ramos- Porque a nossa história enquanto nação sempre foi de segregação, o primeiro Hospício do Brasil, Hospício de Pedro II foi inaugurado em 1852, o primeiro CAPS foi inaugurado 1987, sendo que a Lei sobre Saúde Mental tramitou por 12 anos, lei 10.216/2001, nós ainda estamos com os manicômios na cabeça, ainda está presente na sociedade o estranhamento a tudo que não é branco, hetero e rico, e as pessoas que definem as políticas estão dentro daquele grupo que eu acabei de citar, a maioria rechaça os diferentes.

ON Jornal- O que precisa ser feito para a inclusão ganhar, de vez, o protagonismo que merece?

João Lucas Ramos- A primeira coisa é o empoderamento das populações vulnerabilizadas, no entendimento de que elas, bem orientadas e organizadas, podem começar a exigir que seus direitos possam ser efetivados, bem como serem eleitos, parlamentares efetivamente comprometidos com essas causas. Não existe uma receita de bolo, mas a princípio, se as pessoas se organizarem em entidades e começarem a ocupar os Conselhos Municipais de Saúde, Educação, Assistência Social já inicia uma grande diferença nas cidades, no que diz respeito a visibilidade para as pessoas em vulnerabilidades.

ON Jornal- Qual sonho você já realizou?

João Lucas Ramos- Sou o primeiro estudante de Psicologia a ingressar pelo Sistema de Cotas Raciais na Universidade Federal do Amazonas, e a partir dele realizei vários, como participar de eventos fora do estado em algumas ocasiões. Meu sonho mais recente foi participar como Delegado no Congresso Brasileiro de Psicologia, sou o primeiro Psicólogo de Iranduba-AM a participar desse evento.

ON Jornal- E qual gostaria de ver realizado?

João Lucas Ramos- Gostaria de garantir, junto aos movimentos e população LGBT do município de Iranduba, a implementação da Política Estadual de Saúde LGBTI+, bem como participar da construção de uma Política Municipal para essa população, assim como promover cidadania para as Pessoas em Situação de Rua, colaborando também em iniciativas voltadas à isso.

 

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