A Amazônia funciona como uma gigantesca “máquina de chuva” que distribui umidade para diferentes regiões da América do Sul. A água absorvida pelas árvores é devolvida à atmosfera em forma de vapor e transportada pelos ventos, contribuindo para as chuvas em outras áreas do continente. Segundo a pesquisadora Julia Valentim Tavares, uma árvore adulta pode liberar entre 200 e 300 litros de água por dia.
Desmatamento, queimadas e atividades como mineração e narcotráfico estão afetando esse sistema. Para Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, a floresta é fundamental para os ciclos de água, nutrientes e carbono. Os impactos já são percebidos em áreas desmatadas, com aumento das temperaturas e secas mais intensas e prolongadas, além de redução das chuvas em partes do Brasil e da Bolívia.
A seca extrema de 2024 aumentou a vulnerabilidade da floresta aos incêndios e evidenciou que os impactos da Amazônia ultrapassam seus limites. As pesquisadoras alertam que períodos prolongados de estiagem podem comprometer o transporte de água dentro das árvores e reduzir a capacidade da floresta de absorver carbono, fazendo com que determinadas áreas passem de sumidouros a fontes de gases de efeito estufa.
Para evitar um cenário de perda de conectividade e aproximação de um possível ponto de não retorno, as cientistas defendem a redução das emissões de gases de efeito estufa, a substituição dos combustíveis fósseis e a recuperação de áreas degradadas. A restauração e reconexão da floresta são consideradas essenciais para preservar o ciclo de chuvas que abastece cidades, sustenta a agricultura e influencia o clima de grande parte da América do Sul.
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