domingo, 20 de setembro de 2026
19/09/2026   14:20h - Economia

Desmatamento no Amazonas pode afetar economia e qualidade de vida, alerta especialista

O Amazonas concentrou 20% da área registrada em alertas de desmatamento na Amazônia durante agosto, ficando atrás somente do Pará, que respondeu por mais de 40% do total. Os dados são do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Para a economista e pesquisadora em Desenvolvimento Regional Michele Aracaty, os impactos da degradação da floresta ultrapassam a questão ambiental e podem atingir atividades econômicas e a população do Amazonas.

Segundo a especialista, a perda de cobertura florestal pode comprometer atividades ligadas à bioeconomia, à pesca e à produção de comunidades locais, além de agravar problemas sociais. “O desmatamento na Amazônia afeta diretamente a subsistência, a segurança e a economia das amazônidas”, afirmou Michele. Ela também cita possíveis consequências como conflitos agrários, problemas de saúde, migração de moradores do interior e crescimento desordenado das cidades.

A pesquisadora defende que o Amazonas tenha participação central na construção de alternativas econômicas para a região. Para ela, atividades que valorizem a floresta em pé podem ser associadas a investimentos em tecnologia, inovação e inclusão social. “É fundamental substituir o modelo de destruição por uma economia que mantenha a floresta em pé”, destacou.

Michele também participou do XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (Since), realizado em São Paulo entre 9 e 11 de setembro, onde teve um artigo publicado na revista Economistas. O trabalho aborda desafios para o desenvolvimento da Amazônia, incluindo infraestrutura, saneamento, energia limpa, transporte, conectividade digital, regularização fundiária e segurança jurídica. O Amazonas também estruturou um grupo de trabalho voltado à implementação do Plano de Bioeconomia Estadual.

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