A fragmentação da Mata Atlântica está alterando as características físicas de aves de interior de floresta muito antes de suas populações diminuírem. Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado na revista Ornithology Research, revelou que o desmatamento afeta o desenvolvimento desses animais de forma silenciosa, gerando impactos que antecedem o risco de extinção local.
Ao analisar espécies no corredor Cantareira-Mantiqueira (SP), os pesquisadores descobriram, por exemplo, que a ave chupa-dente apresenta maior assimetria nas pernas e mudanças no tamanho do bico em áreas mais desmatadas. Essas alterações físicas funcionam como uma resposta direta às condições adversas e ao estresse enfrentados pelas aves durante a fase de crescimento nesses fragmentos degradados.
De acordo com os autores, identificar essas mudanças morfológicas precocemente é fundamental para os programas de conservação. Elas servem como um sinal de alerta antecipado, permitindo que cientistas e órgãos ambientais criem estratégias de proteção antes mesmo que as espécies entrem em declínio populacional irreversível na região.
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