domingo, 06 de setembro de 2026
17/08/2026   13:20h - Meio Ambiente

Desertificação no Brasil ameaça segurança hídrica e alimentar

O processo de degradação ambiental conhecido como desertificação já afeta cerca de 18% do território nacional e coloca 39 milhões de brasileiros em áreas de risco. Entre 2000 e 2020, a área degradada cresceu 170 mil km², abrangendo estados do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, além de ter registrado, em 2023, a primeira região de clima árido do Brasil, localizada entre Pernambuco e Bahia. O tema será um dos focos de discussão das delegações brasileiras durante a COP17 da ONU, na Mongólia.

A Caatinga é o bioma mais atingido, com 11% de seu território em estado crítico e severo. Apesar da grave deterioração, pesquisadores ressaltam que a vegetação nativa do semiárido é fundamental no combate às mudanças climáticas, sendo responsável por armazenar altos índices de carbono no solo e por cerca de 50% do sequestro líquido de carbono no país em 2022. Por isso, especialistas defendem a inclusão explícita da Caatinga nos acordos científicos internacionais da conferência.

Para conter o avanço do problema, o governo brasileiro lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e o Programa Recaatingar, que projeta a recuperação produtiva de 10 milhões de hectares nos próximos 20 anos. As estratégias combinam inovação pública com tecnologias sociais desenvolvidas por entidades civis, como o uso de cisternas e o manejo sustentável, destacando que a permanência e a atuação das comunidades locais são essenciais para a restauração do solo.

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