Tuesday, 09 de June de 2026
17/04/2023   15:45h - Polí­tica

Desembargador que mandou prender Advogado Tacla Duran é pai de sócio de Moro

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (PR, SC e RS) Marcelo Malucell, que na última terça-feira (11) decretou prisão preventiva de Tacla Duran, é pai do advogado Eduardo Malucelli, sócio do ex-juiz Sergio Moro e da sua mulher, a deputada federal Rosangela, em um escritório de advocacia.

 

Em depoimento prestado no final de março ao juiz Appio, o advogado disse que foi alvo da Lava Jato por não ter aceitado ser extorquido.

 

“O que estava acontecendo era um bullying processual, em que me fizeram ser processado pelo mesmo fato em cinco países por uma simples questão de vingança”, disse. Seis meses antes de ser preso, em 2016, o advogado relatou que tinha sido procurado pelo advogado Carlos Zucolotto Júnior, que era sócio de Rosângela Moro, mulher do ex-juiz.

 

Em conversa pelo aplicativo Wickr Me, Zucolotto ofereceu acordo de colaboração premiada, que seria fechado com a concordância de “DD” (iniciais do ex-procurador da República Deltan Dallagnol). Em troca, queria US$ 5 milhões. Zucolotto disse que os pagamentos deveriam ser feitos “por fora”. Um dia depois seu advogado no caso recebeu uma minuta do acordo em papel timbrado do Ministério Público Federal, com o nome dos procuradores envolvidos e as condições negociadas com Zucolotto.

 

Em 14 de julho de 2016, Duran fez transferência bancária para o escritório de um outro advogado, no valor de US$ 613 mil, o equivalente hoje a R$ 3,2 milhões. A transferência era a primeira parcela do pagamento pela delação. “Paguei para não ser preso”, disse Tacla Duran em entrevista a Jamil Chade, do UOL.

 

Depois que Duran deixou de fazer os pagamentos, Moro decretou sua prisão preventiva e solicitou à Interpol que ele fosse colocado na lista de procurados. Após tomar conhecimento dos fatos, a Interpol retirou o nome de Duran da lista de procurados e do alerta vermelho por colocar dúvidas sobre a existência de um julgamento justo contra o ex-funcionário da Odebrecht, e apontou violação de leis, princípios, tratados e normas do Direito internacional, reconhecidos pelo Brasil.

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