A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesse sábado (23) que avaliará a adoção de medidas "extrajudiciais e, eventualmente, judiciais cabíveis" contra os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Filipe Barros (PL-PR) por notícias falsas sobre a adoção do uso de banheiros unissex nas escolas.
Os deputados fizeram postagens em redes sociais em que afirmam que o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania determinou o uso de banheiro unissex nas escolas brasileiras.
Após as publicações, o ministro da pasta, Silvio Almeida, enviou ofício à AGU relatando a ocorrência de episódios de fake news e crimes contra sua honra e a do presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o governo, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) publicou no "Diário Oficial" da última sexta (22) uma resolução que estabelece parâmetros para a garantia das condições de acesso e permanência de pessoas travestis, mulheres e homens transexuais, e pessoas transmasculinas e não binárias – e todas aquelas que tenham sua identidade de gênero não reconhecida em diferentes espaços sociais – nos sistemas e instituições de ensino.
Na resolução, o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers e Intersexos (CNLGBTQIA+), do MDHC, dá diretrizes para escolas públicas e privadas quanto ao reconhecimento e adoção do nome social dos estudantes.
Ainda segundo o governo, a resolução garante o uso de banheiros, vestiários e demais espaços de acordo com a identidade de gênero de cada estudante. Além disso, o documento também prevê medidas que minimizem o risco de violência, dentre elas a adoção de banheiros de uso individual, independente de gênero, para além dos já existentes masculinos e femininos nos espaços públicos.
O governo também afirma que o documento não possui caráter legal ou de obrigatoriedade e nem cita banheiros unissex e que "há decreto, ordem emanada de autoridade superior que determine o cumprimento de resolução sobre o tema".
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