O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) lidera a articulação para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o chamado “cartel do asfalto” e afirma que o esquema ajuda a explicar por que a BR-319 e outras rodovias permanecem, há décadas, sem pavimentação integral. O parlamentar está na fase de coleta de assinaturas necessárias para protocolar o pedido no Congresso Nacional e sustenta que o problema da rodovia vai além de entraves técnicos ou ambientais: há interesses econômicos consolidados que lucram com a estrada em condições precárias.
Reportagem recente da UOL revelou que empresas investigadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) firmaram 596 contratos de engenharia com o governo federal desde 2015, somando R$ 24,34 bilhões. Entre elas está a LCM Construção e Comércio S/A, apontada como líder de um suposto cartel do asfalto que teria atuado em licitações bilionárias em todo o país, com contratos que ultrapassam R$ 17 bilhões, dos quais R$ 12,3 bilhões já foram pagos pela União.
Levantamentos a partir de informações oficiais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) indicam que, entre 2020 e 2027, os contratos vigentes relacionados à rodovia somam cerca de R$ 764 milhões, envolvendo serviços de manutenção, restauração, sinalização e projetos. Mais de 50% do valor desses contratos está concentrado justamente na LCM Construção e Comércio S/A, uma das empresas investigadas no esquema.
Para Amom, essa convergência entre contratos milionários de manutenção explica a permanência da rodovia em condições precárias.
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