A Polícia Civil do Amazonas concluiu e enviou à Justiça o inquérito sobre o cerco policial ao terreiro Mina Jejê-Nagô Nossa Senhora da Conceição, em Manaus, isentando os policiais militares envolvidos de acusações de abuso de autoridade. A investigação apontou que a ação foi motivada por uma única chamada ao 190 relatando rituais com animais e barulho alto. No relatório, a corporação atribuiu a reação enérgica dos agentes e o desentendimento no local ao "trauma histórico" dos praticantes de religiões de matriz africana, justificativa que permitiu a liberação dos militares para o retorno às atividades de rua.
A conduta da operação e a conclusão do inquérito foram fortemente criticadas por advogados, especialistas e lideranças religiosas, que apontam indícios de racismo religioso institucional. Além disso, a defesa do terreiro destacou a fragilidade jurídica de se mobilizar seis viaturas com base em uma única denúncia e confirmou que pretende recorrer até o Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso reacendeu cobranças do Ministério Público Federal (MPF) quanto ao preparo da Polícia Militar para lidar com a intolerância religiosa. O órgão cobrou a implementação imediata de um treinamento antirracista que estava engavetado há 12 anos na corporação. Para representantes dos direitos humanos, a tentativa do relatório final de responsabilizar as próprias vítimas pelo conflito reflete a inversão de culpa e a perseguição histórica enfrentada pelas comunidades de terreiro perante as instituições do Estado.
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