A política francesa ganhou um novo desdobramento ontem (7), após a Justiça abrir caminho para que a líder da extrema direita, Marine Le Pen, volte à corrida pelo Palácio do Eliseu em 2027. Embora o tribunal de apelação tenha mantido sua condenação por desvio de recursos do Parlamento Europeu, a redução do período de inelegibilidade faz com que a punição já seja considerada cumprida. Na prática, Le Pen recupera o direito de disputar a Presidência da França, mas terá de cumprir um ano de pena sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
A condenação envolve a apropriação indevida de mais de 4 milhões de euros em verbas destinadas a assessores parlamentares da União Europeia, que, segundo a Justiça, foram utilizados para pagar funcionários do partido Reunião Nacional. A tornozeleira eletrônica substitui a prisão, mas poderá impor restrições de deslocamento e horários, o que pode dificultar uma campanha presidencial em todo o país. A própria Le Pen já afirmou anteriormente que disputar uma eleição nessas condições seria um desafio.
O veredicto redesenha o cenário político francês para a sucessão do presidente Emmanuel Macron, impedido de concorrer novamente por limite constitucional de mandatos consecutivos. Com o Reunião Nacional liderando pesquisas de intenção de voto, a decisão fortalece a possibilidade de uma nova candidatura de Le Pen. Caso ela opte por não entrar na disputa, o favorito para representar a legenda é Jordan Bardella, atual presidente do partido e um dos principais nomes da nova geração da direita francesa.
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