Nascido em Coari, David Bemerguy chegou ao Alto Solimões ainda jovem, aos 19 anos. Já são 38 anos de dedicação na vida pública. Em 1992, aos 22 anos, foi eleito vereador, iniciando uma caminhada sólida na vida pública com três mandatos no legislativo.
Anos depois, foi eleito prefeito de Benjamin. Foi prefeito por dois mandatos consecutivos, de 2017 a 2024. Durante seu mandato, foi apontado pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) como um dos melhores gestores do estado.
Ele já chegou a presidiu o G9 Alto Solimões, buscando melhorias em união com os prefeitos da região. Atuou como Vice-Presidente Regional do Alto Solimões na Associação Amazonense de Municípios (AAM).
Neste ano, David Bemerguy lançou oficialmente sua pré-candidatura ao cargo de deputado estadual para as eleições no Amazonas. O ON Jornal conversou com ele para saber mais sobre suas ideais e como o político vê o ano eleitoral de 2026. Confira.
ON Jornal - Como o senhor pretende usar sua experiência como ex-prefeito para garantir que as demandas específicas da região do Alto Solimões tenham mais peso e visibilidade nas decisões da Assembleia Legislativa (ALEAM)?
David Bemerguy - Minha trajetória política sempre foi guiada por um princípio fundamental: a escuta ativa. Acredito que a melhor forma de representar o povo é estando presente nos bairros, nas comunidades e nos segmentos organizados, vivenciando de perto a realidade e as demandas da nossa gente. É ouvindo a base, com humildade e compromisso, que conseguimos levar as vozes do Alto Solimões e de todo o interior para o centro das grandes decisões.
Com a experiência que acumulei como vereador e gestor, meu objetivo é transformar cada anseio da nossa população em propostas concretas e políticas públicas eficientes. Quero usar todo esse conhecimento prático para construir projetos que melhorem de fato a vida das pessoas, garantindo que o desenvolvimento chegue com força a cada região do nosso Amazonas, da capital ao interior mais distante
ON Jornal - Quais são suas propostas para enfrentar o isolamento logístico e os altos custos de transporte que afetam tanto o comércio quanto o bolso do cidadão no interior do Amazonas?
David Bemerguy – A logística de transporte na região do Alto Solimões é um dos desafios mais urgentes, pois o isolamento geográfico impacta diretamente o custo de vida da população. Durante minha gestão como prefeito, conseguimos articular junto ao governo federal a dragagem de pontos críticos dos rios, uma medida essencial para garantir a navegabilidade e reduzir os custos operacionais do transporte de cargas, que é majoritariamente fluvial em nosso estado.
Para solucionar esse problema de forma definitiva, defendo que o Governo do Estado atue como um parceiro estratégico, subsidiando ou apoiando a logística de transporte, especialmente nos períodos críticos de seca e estiagem. Como quase 95% do abastecimento do interior depende dos rios, essa intervenção é fundamental para evitar que o custo do frete encareça os produtos básicos e afete o bolso do cidadão amazonense.
ON Jornal - Um dos maiores anseios da população é a descentralização da saúde. O que o senhor planeja propor para reduzir a dependência de Manaus e fortalecer os hospitais regionais da calha do Solimões?
David Bemerguy - A principal bandeira para a saúde é a criação de um hospital de referência com especialistas e um centro de imagem no Alto Solimões. É inadmissível que uma região com quase 300 mil habitantes não possua equipamentos para realizar exames básicos, como ressonância e tomografia, obrigando o cidadão a se deslocar até a capital para obter um diagnóstico. A estrutura atual, como a UPA de Tabatinga, é insuficiente para atender a demanda local, deixando municípios ainda mais distantes, como Jutaí e Fonte Boa, em situação de extrema vulnerabilidade.
O objetivo central é cobrar que o Estado assuma a responsabilidade pela descentralização da saúde, estruturando hospitais regionais capazes de oferecer serviços de média e alta complexidade. Com a implantação de laboratórios modernos e centros de diagnóstico no interior, será possível garantir um atendimento mais preciso, rápido e humano. Essa medida é fundamental para assegurar ao cidadão do interior a mesma qualidade e segurança na saúde encontrada em Manaus, transformando um direito constitucional em realidade prática.
ON Jornal - Como deputado estadual, qual será o seu objetivo principal para ampliar o acesso ao ensino superior e técnico para os jovens que vivem em municípios distantes da capital?
David Bemerguy - A interiorização do ensino superior precisa ser acompanhada de uma renovação constante da grade de cursos. Atualmente, instituições como a UEA e a UFAM repetem as mesmas graduações por anos, o que satura o mercado local e limita as oportunidades dos jovens. É fundamental que a universidade estadual se aproxime efetivamente das comunidades e dos municípios, cumprindo seu papel de extensão e oferecendo novas formações que acompanhem as vocações econômicas e os anseios da sociedade regional.
Além disso, a luta pela expansão da rede federal é uma prioridade estratégica, visto que o Amazonas é um dos poucos estados brasileiros com apenas uma universidade federal. A proposta é articular a criação de novas unidades ou desmembramentos da UFAM, especialmente na região do Alto Solimões. Ter mais universidades federais no interior garantirá maior autonomia e estrutura para formar profissionais qualificados, fortalecendo o desenvolvimento intelectual e social de todo o estado. Nós temos uma luta de criar a Universidade Federal do Alto Solimões, ou Pan-Amazônica.
ON Jornal - Dada a sua vivência em uma região de fronteira, quais projetos o senhor pretende defender para reforçar a segurança pública e o combate ao tráfico, em parceria com as forças estaduais e federais?
David Bemerguy - A segurança na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia exige o fim do atual modelo de "enxugar gelo" e a implementação de um plano estratégico real para o Alto Solimões. A proposta foca no fortalecimento operacional, com o uso de veículos fluviais blindados em pontos estratégicos e barcos de apoio para deslocamento rápido de tropas. É inadmissível manter a segurança de uma região tão sensível com o reduzido contingente policial atual; por isso, a ampliação do efetivo e o uso de inteligência e equipamentos modernos são prioridades absolutas.
A solução definitiva depende de uma união de esforços coordenada entre os governos Federal e Estadual, com os municípios atuando como parceiros logísticos. Defendemos um amplo debate com a sociedade e órgãos de segurança para garantir que o Estado não apenas combata o crime, mas devolva a sensação de paz ao cidadão. Sem essa integração efetiva de forças e investimentos, a segurança nos municípios e nas fronteiras continuará vulnerável, comprometendo o desenvolvimento de toda a região.
ON Jornal - Como equilibrar o apoio ao pequeno produtor rural e ao setor primário da nossa região com as políticas de preservação ambiental que são exigidas atualmente?
David Bemerguy - O produtor ribeirinho amazonense possui uma cultura intrínseca de preservação, utilizando as áreas de várzea e ilhas de forma sustentável e sem depredação. O que falta para potencializar essa vocação é uma política de Estado clara e contínua para o agronegócio e a agricultura familiar. É fundamental organizar a assistência técnica e a orientação especializada, garantindo que o conhecimento chegue à ponta e transforme o potencial produtivo em realidade econômica para as famílias do interior.
Nossa região possui uma riqueza imensa no manejo de lagos e na produção de pescado, fontes cruciais de proteína e renda. Para viabilizar esse setor, defendemos a garantia de compra dos produtos da agricultura familiar e o fortalecimento do suporte técnico. Ao transformar essas ações em políticas de Estado, e não apenas em programas passageiros de governo, daremos segurança ao cidadão do interior para produzir com qualidade, gerar riqueza e manter a floresta em pé de forma sustentável.
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