Apesar de hoje ser quase automaticamente associada ao Natal, a poinsétia (Euphorbia pulcherrima) não tem origem europeia nem relação direta com o nascimento de Jesus. Quando o primeiro Natal foi celebrado, a planta existia apenas a milhares de quilômetros de Belém, em regiões do atual sudoeste do México. Conhecida pelos astecas como cuetlaxochitl (“flor brilhante”) e pelos maias como k’alul wits (“flor de brasa”), a poinsétia era valorizada principalmente por suas propriedades medicinais, como o uso da seiva leitosa para fins curativos e das folhas fervidas para tratar hemorragias.
A associação com o Natal começou no século 16, quando missionários franciscanos chegaram ao México e passaram a montar presépios para a celebração natalina. Sem o azevinho europeu, tradicional na decoração, eles adotaram a poinsétia, que florescia naturalmente em dezembro e apresentava as cores vermelha e verde. Décadas depois, no início do século 19, o diplomata e botânico amador Joel Roberts Poinsett levou a planta aos Estados Unidos, onde ela passou a ser cultivada e difundida, ganhando seu nome atual em homenagem a ele.
No século 20, a popularização definitiva veio com o trabalho do agrônomo Paul Ecke, na Califórnia, que desenvolveu variedades mais resistentes, adequadas ao cultivo em vasos e ao transporte.
A família Ecke também apostou em estratégias de marketing, associando a poinsétia às festas de fim de ano, inclusive em programas de televisão. Hoje, a planta é cultivada em diversas partes do mundo, com dezenas de variedades registradas, e se consolidou como um dos principais símbolos visuais do Natal, ainda que suas raízes estejam profundamente ligadas às culturas indígenas da América Central.
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