Monday, 08 de June de 2026
10/09/2021   16:35h - Notícias Gerais

Cunhã poranga do Boi Bumbá Caprichoso vai para Brasília dar apoio à Marcha das Mulheres Indígenas

 Nesta sexta-feira (10), mulheres indígenas de diversos países estiveram em Brasília na Marcha das Mulheres Indígenas em defesa dos povos originários e, também, contra a tese do Marco Temporal em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Da etnia Munduruku, a cunhã poranga do Boi Bumbá Caprichoso, Marciele Albuquerque acompanhou a marcha e relatou para o ON JORNAL como está o ambiente no Distrito Federal (DF).

 
Segundo Marciele a marcha saiu do acampamento se dirigiu até  a Praça do Compromisso onde tem o monumento em homenagem ao líder indígena Galdino (assassinado, queimado vivo enquanto dormia). “Foi um percurso tranquilo, havia muitos seguranças e sem conflitos. Foi muito forte, real e emocionante”, disse.
 
O tema indígena é sempre recorrente na estética, letras e temas do Festival de Parintins. Para Marciele é importante todo mundo abraçar a causa indígena. “Essa luta  é de todos nós e não só dos artistas e dos povos indígenas”, afirma. O julgamento do Marco Temporal vai definir se os povos originários podem reivindicar territórios, antes do que estava demarcado pela Constituição de 1988. Para as lideranças, a vitória do Marco, ameaça a sobrevivência de muitas nações que lutam por suas terras.
 
Na quinta-feira (9), Marciele demonstrou tensão ao sair do acampamento com outras indígenas, conforme vídeo exibido em suas redes sociais. Elas precisaram desfazer os grafismos indígenas e retirar adornos para transitar, pois a presença de manifestantes bolsonaristas provocava palavras hostis contras elas. “Hoje já estava mais tranquilo, mas o acampamento tem segurança ao redor, e sim precisamos ter cuidado principalmente se estivermos com grafismo ou acessórios indígena. O preconceito, intolerância e o fanatismo andam lado a lado com os bolsonaristas”, afirmou.
 
Ele frisou que viajou para Brasília por iniciativa própria. “Eu, Ira Maragua e mais uns amigos já realizamos um projeto que envolve indígenas, e vendo toda situação não poderíamos deixar de está aqui na resistência com os parentes”.
 
Durante os dias em Brasília, Marciele está relatando todos os detalhes em suas redes sociais e demonstrou alegria com a aceitação dos seguidores não indígenas. “Essa é uma causa que não é só nossa, porque envolve a Amazônia, envolve as queimadas e o desmatamento entre tantas coisas”, enfatizou. 

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