Centenas de moradores de Ceuta, enclave espanhol no norte da África, foram às ruas ontem (20) para protestar contra a resposta do governo à crise migratória. Com bandeiras da Espanha e motocicletas, os manifestantes afirmaram estar insatisfeitos com a situação e disseram se sentir “abandonados” pelas autoridades.
A Espanha estima que pelo menos 10 mil migrantes ainda estejam no território. Na sexta-feira (18), policiais de choque e militares começaram a retirar pessoas que estavam acampadas nas praias e a levá-las para instalações temporárias construídas no porto, com capacidade para cerca de 1.700 pessoas. A medida ocorreu após a entrada de mais de 72 mil migrantes vindos do Marrocos para Ceuta no fim de julho, embora a maioria tenha deixado o enclave posteriormente.
Organizações não governamentais afirmam que milhares de pessoas continuam sem abrigo e dormem em barracas nas praias e calçadas. Uma ONG estima que cerca de 4 mil migrantes ainda estejam nessas condições, enquanto três representantes de organizações ouvidos pela Reuters criticaram a demora das autoridades em oferecer abrigo adequado. O cenário mantém a pressão sobre o governo espanhol diante da crise migratória.
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