A crise climática aprofunda desigualdades históricas e afeta de forma desproporcional populações negras, indígenas e periféricas, apesar de esses grupos serem os que menos contribuem para o aquecimento global. O conceito de racismo ambiental (a distribuição desigual dos danos ambientais por raça, classe, gênero e território) é central para entender por que não existe justiça climática sem justiça racial. Segundo especialistas, essas populações, além de mais vulneráveis aos impactos, desempenham papel fundamental na preservação das florestas e da biodiversidade.
Dados da Oxfam evidenciam o abismo nas emissões de carbono: o 1% mais rico do planeta emite, em média, 75,1 toneladas de CO? por pessoa ao ano, enquanto o grupo dos 0,1% mais ricos pode emitir, em um único dia, mais carbono do que metade da população mundial em um ano inteiro. A organização estima que as emissões dessa elite, em apenas um ano, poderão causar cerca de 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século, além de prejuízos econômicos acumulados de US$ 44 trilhões a países de baixa e média-baixa renda entre 1990 e 2050.
O relatório defende que conter o consumo excessivo dos super-ricos é essencial para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C. Para isso, seria necessário que o 1% mais rico reduzisse suas emissões em 97% até 2030. A Oxfam propõe medidas como taxação de grandes fortunas, impostos sobre lucros extraordinários de empresas de combustíveis fósseis e restrições a bens de luxo altamente poluentes.
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