A crise climática está impactando severamente a saúde mental de povos indígenas e quilombolas no Brasil, gerando transtornos como ansiedade, depressão e estresse crônico. Para essas comunidades tradicionais, a terra e os ciclos da natureza estão diretamente ligados à sua identidade, cultura e espiritualidade. Quando fenômenos como secas históricas, calor extremo e enchentes destroem seus territórios, ocorre uma quebra profunda no equilíbrio psicológico e emocional dos moradores.
Especialistas utilizam o termo solastalgia para descrever essa angústia provocada pela transformação destrutiva do próprio lar. Entre os indígenas, a perda de precisão nos calendários agrícolas ancestrais gera um forte sentimento de impotência e luto cultural. Já nos quilombos, as perdas frequentes de lavouras pela estiagem agravam a insegurança alimentar e aceleram o êxodo forçado de jovens para as cidades, desestruturando os laços familiares.
Diante do avanço desse adoecimento associado ao racismo ambiental, lideranças e profissionais de saúde cobram políticas públicas que vão além do apoio material emergencial, exigindo atendimento psicossocial contínuo. Como resposta, os próprios territórios têm resistido por meio do fortalecimento de redes internas de apoio mútuo, combinando rituais tradicionais e saberes ancestrais para enfrentar o impacto das transformações climáticas.
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