O Brasil registrou, em março de 2025, um total de 335.151 pessoas vivendo em situação de rua, segundo dados do Cadastro Único (CadÚnico) analisados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG). O número representa um aumento de 0,37% em relação a dezembro do ano anterior e é 14,6 vezes superior ao total registrado há pouco mais de uma década, em 2013. O relatório reforça um cenário de vulnerabilidade crescente e denuncia a precariedade das políticas públicas destinadas a essa população.
O perfil traçado pelo levantamento aponta que 88% dos moradores de rua têm entre 18 e 59 anos, 84% são homens, 81% sobrevivem com menos de R$ 109 mensais e mais da metade sequer concluiu o ensino fundamental. A maioria é negra e vive nas regiões Sudeste e Nordeste, com destaque para o estado de São Paulo, que sozinho concentra mais de 40% dessa população. A violência também é uma realidade constante: entre 2020 e 2024, foram mais de 46 mil denúncias de agressões contra pessoas em situação de rua, sendo que boa parte dos casos ocorreu em vias públicas e até mesmo dentro de instituições de acolhimento.
Diante do agravamento da crise, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social afirma ter retomado capacitações e fortalecido a coleta de dados, além de investir em centros especializados como o Centro POP e o Creas. Ainda assim, pesquisadores da UFMG alertam: faltam ações estruturantes e políticas eficazes de moradia, trabalho e educação.
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