Cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 (o equivalente a R$ 92,4 bilhões) foi destinado a imóveis com alertas de desmatamento ou degradação nativa. Os dados são da nova edição do Monitor do Crédito Rural, do MapBiomas, que identificou 831 mil operações nessas condições. O Banco do Brasil liderou em volume financeiro socioambiental (33% dos recursos), enquanto o Banco do Nordeste registrou o maior número de contratos sobrepostos a áreas protegidas (63%).
A plataforma do MapBiomas monitora os alertas, mas ressalta que o indício de satélite não configura crime automático, já que o Código Florestal permite a supressão legal via autorização específica. Atualmente, os bancos barram o crédito apenas em áreas formalmente embargadas por órgãos como o Ibama. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que obrigará o bloqueio preventivo baseado apenas em imagens de satélite teve sua validade adiada para janeiro de 2027.
Em nota, o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste defenderam a legalidade de suas operações, afirmando que utilizam dezenas de bases públicas, diagnósticos geoambientais e sensoriamento remoto para vetar recursos a áreas irregulares.
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