O peixe neotropical Copella arnoldi, que habita os igarapés da Amazônia, exibe um comportamento reprodutivo inédito: a desova acontece totalmente fora da água. Durante o acasalamento, o macho e a fêmea executam um salto sincronizado para fora do rio, onde a fêmea fixa os ovos na parte inferior de folhas suspensas sobre a água e o macho os fertiliza imediatamente. Este ato, que dura cerca de 10 segundos, pode ser repetido até que aproximadamente 200 ovos estejam depositados.
Essa estratégia reprodutiva fora d'água visa reduzir drasticamente o risco de predação por outros peixes e aproveitar a maior concentração de oxigénio no ar, o que é benéfico para o desenvolvimento embrionário dos ovos. Contudo, essa técnica cria uma alta vulnerabilidade à desidratação. Para combater isso, o macho assume uma função paternal crucial: ele salpica água nos ovos a cada minuto após a desova, mantendo-os hidratados e oxigenados até a eclosão, que ocorre entre 36 a 72 horas.
A reprodução do Copella arnoldi está estritamente ligada à estação chuvosa da Amazónia, tornando a espécie extremamente sensível às condições ambientais, como o regime hídrico e a oferta de vegetação. Por ser um peixe valorizado no mercado ornamental e altamente dependente de ecossistemas estáveis, sua longevidade e sobrevivência são ameaçadas pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas.
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