A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30) começa nesta segunda-feira (10) em Belém (PA), a primeira realizada na Amazônia. Serão duas semanas decisivas para a ação global contra as mudanças climáticas.
Cerca de 50 mil pessoas, entre diplomatas, líderes, ativistas, cientistas e empresários, participam do encontro.
A Cúpula de Líderes, que terminou na sexta (7), já indicou o tom político das negociações, que serão: acelerar a transição energética, ampliar o financiamento climático e proteger as florestas tropicais.
Agora, as atenções se voltam para as mesas de negociação, onde esses compromissos terão de sair do discurso e se transformar em planos concretos, com metas, prazos e recursos definidos.
Outra discussão central é o Objetivo Global de Adaptação (GGA), um instrumento que pretende medir o quanto os países estão se preparando para os impactos do clima.
A proposta faz parte do Marco UAE–Belém para Resiliência Climática Global e é vista como essencial para avaliar quem está conseguindo se adaptar e quem ainda está ficando para trás.
O desafio, no entanto, é garantir recursos estáveis e previsíveis para que o sistema não se torne apenas um ritual simbólico.
"É fundamental que a ambição não se limite às ações de mitigação — ela também deve envolver a entrega efetiva de recursos", avalia Vaibhav Chaturvedi, pesquisador sênior do Council On Energy, Environment and Water (CEEW). No campo das finanças, os países em desenvolvimento chegam a Belém com uma reivindicação clara: a crise climática não pode continuar sendo tratada como algo separado da economia global.
O desafio da conferência será dar conteúdo ao Roteiro de Baku a Belém, plano que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, com juros baixos, mais doações e menos endividamento. Esse ponto será decisivo para definir o sucesso da COP, já que sem financiamento em escala, metas de descarbonização e adaptação se tornam inviáveis.
A expectativa do governo Lula na COP30 é consolidar o Brasil como protagonista global da agenda climática e como mediador entre o Norte e o Sul Global.
O país chega a Belém com a missão de mostrar resultados concretos em transição energética e proteção florestal, e de reforçar seu papel político como anfitrião da conferência.
O discurso do presidente Lula durante a Cúpula de Líderes deixou clara a estratégia brasileira: defender uma transição energética justa, capaz de equilibrar o avanço das energias renováveis com a valorização dos combustíveis sustentáveis.
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