O governo da Nigéria e outros líderes do continente africano, como o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, manifestaram profunda preocupação com o aliciamento de cidadãos para lutar ao lado das forças russas na Ucrânia. Relatórios indicam que homens são atraídos por promessas falsas de empregos bem remunerados na construção civil ou segurança, mas acabam enviados à linha de frente após assinarem contratos em russo que não conseguem compreender.
Investigações do coletivo All Eyes on Wagner identificaram dezenas de nigerianos vítimas desse esquema, com mortes já confirmadas em combate. O modus operandi envolve redes sociais e agentes locais que facilitam vistos de trabalho; ao chegarem à Rússia, os imigrantes sofrem pressão para assinar documentos militares sem o devido treinamento, sendo muitas vezes utilizados em táticas de alto risco nas zonas de maior conflito.
Essa estratégia de recrutamento estrangeiro é vista por especialistas como uma tentativa de Moscou de evitar novas mobilizações domésticas impopulares. Para os países africanos, o caso gera um dilema diplomático sensível, equilibrando a proteção de seus cidadãos contra o tráfico humano e a manutenção de relações históricas e comerciais com o governo de Vladimir Putin.
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