Nos arredores de Paris, a Sciences Po Saint-Germain-en-Laye ganhou o apelido de “universidade de espiões” por abrigar um curso criado em parceria com a Academia de Inteligência da França. Oficialmente chamado de Diploma em Inteligência e Ameaças Globais, o programa surgiu após os atentados terroristas de 2015 e tem como objetivo reforçar os serviços de inteligência do país, unindo formação acadêmica e prática profissional em um ambiente marcado pela discrição.
O curso reúne jovens universitários e agentes de inteligência em atividade, muitos deles anônimos até para os professores. Os conteúdos abordam temas como combate ao terrorismo, jihadismo, crimes financeiros, lavagem de dinheiro, espionagem corporativa e riscos tecnológicos. Com duração de quatro meses e 120 horas de aula, a formação reforça que a espionagem moderna é menos ação cinematográfica e mais análise estratégica e produção de informação.
Além dos serviços secretos, grandes empresas francesas e multinacionais passaram a contratar formandos do curso para lidar com ameaças como espionagem industrial e ataques cibernéticos. O processo seletivo é rigoroso e restrito a cidadãos franceses, refletindo o caráter sensível da formação.
No fim, a “universidade de espiões” mostra que, longe do glamour de Hollywood, o verdadeiro poder da inteligência está no silêncio, nos dados e na capacidade de interpretar riscos invisíveis.
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