quinta, 23 de abril de 2026
11/05/2025   14:40h - Animais

Conheça a cidade milenar de cupins e intriga a ciência com engenharia de precisão

 

Nas vastas e áridas paisagens do sertão nordestino, uma descoberta surpreendente colocou o Brasil no mapa das maiores “cidades” da história natural: uma rede de cerca de 200 milhões de montes de terra construídos por cupins Syntermes dirus, espalhados por uma área equivalente à da Grã-Bretanha. De tão simétricos, os cupinzeiros só revelaram sua grandiosidade com imagens de satélite e sobrevoos de drone, chamando atenção de pesquisadores da Universidade de Salford (Reino Unido) e da Universidade Estadual de Feira de Santana (Bahia).

 

Cada estrutura tem em média 2,5 metros de altura e 9 metros de largura — mas, ao contrário do que se imagina, não são ninhos. Funcionam como depósitos de escavação, conectados por uma complexa rede subterrânea de túneis usada pelos insetos para buscar alimento sem enfrentar o calor extremo da superfície. Alguns desses “lixões” naturais foram datados em até 3.820 anos, tornando a construção uma das mais antigas obras de engenharia coletiva de que se tem notícia, feita por criaturas do tamanho de uma unha.

 

A organização é tão precisa que os montes seguem um padrão geométrico conhecido como “superdisperso”, com espaçamento regular de cerca de 20 metros entre cada um. Não se trata de guerra territorial, mas de pura eficiência: escavar duas vezes no mesmo lugar custa energia, e os cupins sabem disso. Mais do que pragas, eles são verdadeiros engenheiros ecológicos, moldando o solo, reciclada matéria orgânica e mantendo o equilíbrio do ecossistema — tijolo por tijolo, grão em grão.


 

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