quinta, 23 de abril de 2026
29/12/2025   08:40h - Política Internacional

Conflito entre governo e Igreja aprofunda crise política na Armênia

A Armênia vive sua maior crise institucional desde a independência devido ao confronto direto entre o primeiro-ministro Nikol Pashinian e a Igreja Apostólica Armênia, liderada por Karekin II. Às vésperas das eleições de 2026, Pashinian acusa a cúpula religiosa de corrupção e de agir como braço de inteligência da Rússia. Por outro lado, a Igreja afirma que o governo viola a Constituição e tenta desmantelar a identidade histórica do país para facilitar concessões territoriais ao Azerbaijão.

 

A tensão atingiu o ápice após os protestos liderados pelo clérigo Bagrat Galstanian, que mobilizou milhares de cidadãos contra as políticas de demarcação de fronteiras do governo. A detenção de líderes religiosos e a retórica agressiva de Pashinian sobre a "Armênia Real", uma visão que foca exclusivamente nas fronteiras atuais, aprofundaram a divisão social. A Igreja, vista como guardiã da memória nacional, resiste ao que chama de "rendição" das reivindicações históricas armênias.

 

Especialistas alertam que a polarização extrema pode comprometer as negociações de paz regionais e afastar a influente diáspora armênia, essencial para a economia do país. Com o governo intensificando investigações fiscais sobre bens eclesiásticos e a Igreja mantendo sua postura de oposição política, o cenário para o próximo ano é de incerteza, colocando em risco a separação entre Estado e religião em um dos países cristãos mais antigos do mundo.

Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.