A expansão urbana de Belém tem contribuído para o aumento das chamadas ilhas de calor, fenômeno em que áreas mais urbanizadas registram temperaturas superiores às de regiões com maior cobertura vegetal. Segundo o professor Edivaldo Afonso de Oliveira Serrão, da UFPA, a substituição da vegetação por concreto e asfalto reduz a evapotranspiração e faz com que mais energia solar seja transformada em calor.
O efeito costuma ser mais intenso entre junho e novembro, quando o volume de chuvas é menor e há períodos com menos nuvens e maior incidência de radiação solar. Além disso, superfícies impermeáveis armazenam calor durante o dia e o liberam ao longo da noite, aumentando o desconforto térmico.
O processo de urbanização também interfere na drenagem. Com menos áreas permeáveis, a água da chuva escoa mais rapidamente para regiões baixas, favorecendo alagamentos. Em Belém, a baixa declividade de parte da cidade e a influência das marés podem dificultar ainda mais o escoamento.
Para reduzir os impactos, o professor defende a ampliação da arborização, parques, preservação de várzeas e corpos d’água, além de jardins de chuva e pavimentos permeáveis. A combinação de infraestrutura verde, azul e cinza pode ajudar a reduzir o calor, melhorar a infiltração da água e aumentar o conforto térmico.
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