O uso de uma tecnologia simples tem transformado a relação entre pescadores e botos na Amazônia. O WWF-Brasil, em parceria com a Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), testou na Floresta Nacional do Tapajós (PA) os pingers — pequenos dispositivos acústicos que emitem sons de alta frequência capazes de afastar os golfinhos sem causar danos.
O resultado foi expressivo: a captura de peixes aumentou até três vezes, e os danos às redes caíram 40%, sem registros de mortes acidentais de botos. A experiência, aplicada na comunidade de Prainha I entre 2023 e 2024, integrou a metodologia internacional Conflict to Coexistence (C2C), reconhecida pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).
Símbolos da biodiversidade brasileira, os botos enfrentam declínio populacional devido à perda de habitat, contaminação das águas, garimpo ilegal e pesca predatória. O Brasil abriga três espécies — boto-cor-de-rosa, tucuxi e boto-do-Araguaia —, esta última exclusiva do país e já classificada como vulnerável.
Com base nos resultados na Amazônia e no Cerrado, o WWF-Brasil lançou a cartilha Coexistência com Botos, que reúne boas práticas e orientações sobre o uso dos pingers, manejo sustentável das redes e preservação das matas ciliares. O material reforça a importância da convivência harmoniosa entre humanos e botos para garantir a integridade dos ecossistemas aquáticos e contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
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