Comunidades da Amazônia já percebem os efeitos da redução do nível de rios, lagos, igarapés e poços, além do aumento da temperatura da água e de dificuldades para o deslocamento. Os impactos também atingem a pesca, as plantações, o acesso à água, a educação, a saúde e o transporte da produção. Diante da possibilidade de um novo El Niño entre 2026 e 2027, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) lançou uma aliança para antecipar medidas de prevenção e adaptação nos territórios mais vulneráveis.
Durante um encontro virtual que reuniu cerca de 100 lideranças comunitárias, foram levantadas mudanças já observadas e as principais necessidades para enfrentar novos eventos climáticos extremos. “As mudanças do clima para a gente estão absurdas. Em 15 dias, tínhamos uns 20 metros de água e agora não temos mais acesso. A maniva está murchando e queimando”, relatou Alcione Rodrigues, morador da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, na RDS Mamirauá. A iniciativa pretende unir monitoramento climático, conhecimento científico e participação das comunidades para transformar os relatos em ações antes que os problemas se agravem.
A preparação considera as experiências das secas severas registradas em 2023 e 2024, quando diversas comunidades enfrentaram dificuldades para obter água potável, alimentos e serviços básicos. Entre as prioridades apontadas estão a construção e adequação de poços, implantação de sistemas de energia solar para abastecimento de água, transporte de pacientes e estudantes, formação de brigadistas, prevenção de queimadas, segurança alimentar e criação de planos comunitários de adaptação. “Quem vive nos territórios percebe primeiro as mudanças e também conhece as soluções que podem funcionar em cada realidade”, afirmou Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS.
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