Localizada no extremo norte do Peru, na região da tríplice fronteira com o Brasil e a Colômbia, a comunidade indígena Bellavista Callarú deu um ultimato ao governo peruano e levantou a possibilidade de se incorporar ao território brasileiro. A ameaça consta em um documento elaborado por lideranças locais, que estabelece prazo de 30 dias para que as autoridades respondam a denúncias de falta de segurança, serviços básicos e presença do Estado. O prefeito local, Desiderio Flores Ayambo, afirmou que, sem respostas concretas, alternativas “drásticas” poderão ser analisadas.
A comunidade denuncia assassinatos de lideranças, extorsões e recrutamento forçado pelo tráfico, em uma das regiões mais afetadas pela pobreza extrema no país. Para especialistas, no entanto, o pedido de anexação ao Brasil tem pouca viabilidade jurídica e deve ser interpretado como um forte sinal político. “É um grito de socorro”, avalia a professora de relações internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, que explica que as fronteiras estão consolidadas há mais de um século e que qualquer mudança exigiria acordos bilaterais complexos e improváveis entre os dois países.
Segundo a professora Shyrley Tatiana Peña Aymara, da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP), a reivindicação reflete o desejo de maior autonomia e atenção do Estado peruano. Ela destaca que o povo tikúna é transnacional e que, na prática, Bellavista Callarú já mantém vínculos econômicos e sociais mais intensos com o Brasil, devido à proximidade geográfica e à ausência de serviços públicos no lado peruano.
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